XXI Colóquio Nacional de Estudos Linguísticos e Literários: políticas públicas  educacionais e as implicações para a área de linguagem

XXI Colóquio Nacional de Estudos Linguísticos e Literários: políticas públicas educacionais e as implicações para a área de linguagem

presencial Universidade do Estado de Mato Grosso UNEMAT - Campus Universitário de Sinop - Sinop - Mato Grosso - Brasil

O evento já encerrou

finalizado

Sobre o evento

Temos o prazer de anunciar a realização do XXI Colóquio Nacional de Estudos Linguísticos e Literários – CONAELL, organizado pelos cursos de Licenciatura em Letras, Mestrado Acadêmico em Letras (PPGLetras) e Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS), em parceria com o Grupo de Trabalho “Estudos Linguísticos na Amazônia Brasileira” (ELIAB/ANPOLL) e com a Associação Internacional de Estudos Literários e Culturais Africanos (AFROLIC)

          A 21ª edição do CONAELL escolheu o tema “Políticas públicas educacionais e as implicações para a área de linguagem”, e tem por objetivo discutir, divulgar, compartilhar e estimular a produção acadêmico-científica inerente às áreas de Linguística e Literatura, tendo como foco as políticas públicas educacionais e suas implicações para os estudos e práticas da linguagem. Em tempos de pós pandemia, resultante da Covid 19, constata-se dependência das novas tecnologias que se mostram capazes de realizar profundas mudanças sociais, inclusive na Educação, o que implica repensar os processos formativos de docentes, o papel dos discentes e das metodologias de ensino. É nesse sentido que as áreas da Linguística e da Literatura tratarão dessas temáticas, de acordo com suas especificidades, para problematizar e refletir sobre essas questões.

O evento ocorrerá em formato híbrido entre os dias 24 e 26 de setembro de 2024, na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Campus Universitário de Sinop – Unidade Imperial, com mesas de conferências, palestras e minicursos acontecendo presencialmente, e apresentações de comunicações vinculadas a grupos de trabalhos e minicursos na modalidade remota.

As normas e outras informações sobre publicação estão disponíveis em: https://www.conaell.com/ 

Carga horária do certificado de participação: 30 horas

ATENÇÃO: Prazo encerrado para submissão de resumos em GTs.

Não haverá devolução do valor de inscrição pago.

Inscrições

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Informações - Grupos Temáticos - GTs

GRUPO TEMÁTICO 1

 

ABORDAGEM CRÍTICA NAS PRÁTICAS DE LINGUAGEM:

GÊNERO, DECOLONIALIDADE E DIVERSIDADE

 

Dánie Marcelo de Jesus

e-mail: daniepuc@gmail.com

Doutor em Linguística Aplicada e Estudos de Linguagem. Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Linguagens.

 

Élidi Preciliana Pavanelli-Zubler

e-mail: elidipavanelli@gmail.com

Mestre em Estudos de Linguagem - PPGEL-UFMT; SEDUC-MT

 

Raiane Ferreira Sombra Pires de Campos

e-mail: raiane.pcampos@gmail.com

Mestre em Estudos de Linguagem-PPGEL-UFMT; SEDUC-MT

 

RESUMO: Com um olhar para a abordagem crítica na sala de aula em uma perspectiva decolonial, este GT pretende acolher trabalhos que versem sobre estudos de gêneros, diversidade e suas intersecções. Seus proponentes desenvolvem pesquisas sobre os estudos feministas, práticas inclusivas em sala de aula, letramento crítico e diversidades.  Compreende-se que trabalhos com essa vertente podem oferecer estratégias eficazes para a desconstrução de estereótipos e promoção da igualdade de gênero e de raça. As pesquisas nessa perspectiva podem estar ancoradas em Beauvoir (1967), Butler (2003), Duboc (2012), Fairclough (2008), Foucault (2010, 2011), hooks (2017), Louro (2014, 2016), Moita Lopes (2002, 2003), entre outros. Assim, o objetivo desse GT é incentivar a troca de experiências sobre práticas que busquem a igualdade de gênero e de raça, a decolonialidade, a inclusão e a conscientização crítica entre os estudantes, criando um ambiente de aprendizado que questione estereótipos e promova a compreensão e o respeito pelas diversas vivências existentes em nossa sociedade. Conclui-se que abordar questões de gênero, diversidade e inclusão nas salas de aulas e em diferentes espaços sociais é um desafio importante e necessário para promover o respeito e a igualdade. Ao oferecer um espaço para reflexão crítica, os educadores têm o potencial de desconstruir estereótipos arraigados e contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

 

GRUPO TEMÁTICO 2

 

A SOCIEDADE A PARTIR DA LÍNGUA:

AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS SOB O OLHAR DA LINGUÍSTICA

 

Miguel Rodrigues Netto

e-mail: miguel.rodrigues@unemat.br    

Doutor em Ciências Sociais – PUC/SP. Professor da Faculdade de Ciências Humanas e Linguagem – FACHLIN/UNEMAT/Sinop

 

Giseli Veronêz da Silva

e-mail: giseli.veronez@unemat.br 

Doutora em Linguística – UNEMAT. Professora da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Linguagem – FACSAL/UNEMAT/Tangará da Serra.

 

Rodrigo de Santana Silva

e-mail: rodrigo.santana@seduc.mt.gov.br  

Doutor em Linguística – UNEMAT. Coordenador de Formação Diretoria Regional de Ensino – DRE/SEDUC – Tangará da Serra

 

RESUMO: O objetivo deste GT é explorar como a linguagem influencia e reflete as transformações sociais na sociedade contemporânea. Nossa abordagem será interdisciplinar, relacionando as áreas da Análise do Discurso, Semântica Enunciativa e Linguística Aplicada para discutir as dinâmicas complexas entre língua e sociedade. Ao propor a temática "A sociedade a partir da língua: as transformações sociais sob o olhar da linguística", iremos discutir as teorias fundamentais que fundamentam a relação entre linguagem e sociedade, destacando a importância da linguística na compreensão das dinâmicas sociais. Objetivamos também, levantar discussões de como a linguagem é utilizada na construção e expressão de identidades sociais, incluindo identidade de gênero, etnia, classe social e pertencimento cultural. Analisaremos como as mudanças na linguagem ao longo do tempo refletem e influenciam mudanças sociais mais amplas, incluindo questões de poder, política, participação social e tecnologia. Nesta direção, o GT abordará como a linguagem é usada na mídia, incluindo redes sociais, jornalismo e entretenimento, e como isso influencia a percepção e representação da sociedade. Os participantes (pesquisadores/ouvintes) serão incentivados a trazer exemplos de sua própria experiência e pesquisa para enriquecer a discussão. O grupo de apresentação é destinado a estudantes e profissionais interessados em linguística, sociologia, antropologia, ciência política, comunicação e áreas afins. Os trabalhos selecionados para este GT terão como objetivo explorar a sociedade a partir da lente da linguística, oferecer insights fascinantes sobre as dinâmicas sociais e culturais que moldam nossas interações diárias de forma colaborativa e estimulante. Também buscaremos preferencialmente propostas que evidenciem a interdisciplinaridade entre os estudos linguísticos e as ciências humanas e sociais demonstrando que tais saberes não são concorrentes e sim complementares para que possamos entender a totalidade de nossos objetos de pesquisa.

 

GRUPO TEMÁTICO 3

 

ANÁLISE TEXTUAL DOS DISCURSOS

 

Vanessa Fabíola Silva de Faria

e-mail: vanessafabiola@unemat.br

Doutora. Universidade do Estado de Mato Grosso

 

Lidemberg Rocha de Oliveira

e-mail: bergrocha@ifesp.edu.br

Doutor. Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy – IFESP

 

RESUMO: Jean Michel Adam (2011), em sua obra "A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos", posicionou a Linguística Textual (LT) como um subcampo da Análise do Discurso, oferecendo uma solução teórica para pesquisadores que tentavam se manter em um terreno instável nas fronteiras entre o textual e o discursivo. Embora ambos os campos do conhecimento definam seus domínios principais, muitas pesquisas parecem optar por uma maior abertura e expansão de contato com as diferentes materialidades, tanto textual quanto discursiva. Este grupo temático (GT) propõe receber estudos no campo da Análise Textual dos Discursos (ATD), reunindo pesquisadores, cujos trabalhos explorem tanto os aspectos teóricos quanto as diversas aplicações metodológicas da ATD em seus estudos, tendo em vista que este campo propicia a ancoragem teórica e fornece ferramentas metodológicas para análise de diversos gêneros discursivos, considerando elementos de natureza verbal, imagética, cognitiva, social e interacional, e permite compreender não apenas a estrutura dos textos, mas também os processos de produção de sentido e a influência dos co(n)textos comunicativos. Desta forma, este GT acolherá trabalhos de natureza diversa, sobretudo, os que discutem os fundamentos teóricos da ATD; os que apliquem tais fundamentos na análise de diversos tipos de discursos (midiáticos, políticos, literários, jurídicos, acadêmicos, etc.);  que proponham inovações e/ou adaptações na abordagem teórico-metodológica da ATD; que analisem casos específicos de estudo, demonstrando a aplicabilidade e resultados ou ainda que investiguem a interação entre a ATD e outras teorias linguísticas e discursivas. Assim, são esperados trabalhos cujo foco incida sobre a relação entre o plano de texto e as sequências textuais; sobre a representação discursiva (Rd) dos mais variados objetos de discurso em diversos gêneros discursivos; sobre os mecanismos linguísticos para a gestão das vozes nos textos, mecanismos de construção dos pontos de vista (pdv) e suas relações com as posturas enunciativas; sobre as relações entre representação discursiva (Rd), responsabilidade enunciativa (RE) e as estratégias linguístico-textuais da orientação argumentativa (OrArg) pesquisadas em textos de gêneros discursivos variados.

Palavras-chave: Análise Textual dos Discursos; Análise de Discurso; Linguística Textual.

 

GRUPO TEMÁTICO 4

 

DIÁLOGOS LEXICAIS: MÚLTIPLAS FACETAS DOS ESTUDOS DO LÉXICO

 

Vanessa Regina Duarte Xavier

e-mail: vrdxavier@gmail.com   

Doutora em Filologia e Língua Portuguesa, Universidade Federal de Catalão (UFCAT).

 

Ana Vitória Gomes Moreira

e-mail: anavitoria123r@gmail.com    

Mestra em Estudos da Linguagem, Universidade Federal de Catalão (UFCAT).

 

RESUMO: O léxico, como repositório do saber linguístico de uma comunidade (Biderman, 2001), engendra as nomeações que atribuímos aos conhecimentos linguísticos e extralinguísticos. Oliveira e Isquerdo (2001, p. 9) pontuam que ele “[...] configura-se como a primeira via de acesso a um texto, representa a janela através da qual uma comunidade pode ver o mundo, uma vez que esse nível da língua é o que mais deixa transparecer os valores, as crenças, os hábitos e costumes de uma comunidade [...]”. Nota-se, assim, que o léxico se conecta intimamente com o universo extralinguístico e, por meio dele, podemos ter acesso às memórias, culturas, identidades e aos aspectos sociais de modo geral, por isso a analogia à janela como observatório da realidade sociocultural. Dentro dos estudos lexicais, encontramos inúmeras possibilidades de investigação com foco nas Ciências do Léxico e, também, investigações interdisciplinares, nas quais o léxico estabelece ponte com outras teorias, metodologias e/ou áreas do saber, como análises lexicais em diálogo com teorias discursivas, literárias, estilísticas, filológicas, dentre diversas outras. Pensando nisso, esse Grupo Temático (GT) objetiva receber propostas de comunicação acerca de investigações teórico e/ou empíricas, em curso ou finalizadas, que tenham os estudos lexicais como foco, tanto na perspectiva do léxico geral quanto especializado. Serão aceitos para apresentação trabalhos que se situem em uma vertente teórico-metodológica das Ciências do Léxico, a saber: Lexicologia, Lexicografia e Terminologia; e aqueles que tratem interdisciplinarmente de questões lexicais, dialogando com áreas e/ou teorias afins. Os objetos de estudo das propostas a serem submetidas para avaliação podem ser variados, tais como: documentos pretéritos em suas distintas edições; corpora discursivos; verbetes ou obras lexicográficas; dentre tantas outras possibilidades.

 

GRUPO TEMÁTICO 5

 

DINÂMICAS SOCIOLINGUÍSTICAS NA FRONTEIRA BRASIL-BOLÍVIA

 

Jocineide Macedo Karim

e-mail: jocineide.karim1@unemat.br

Doutora – UNEMAT

 

Fernando Jesus da Silva

e-mail: fernando.silva1@ufmt.br

Doutor – UFMT

 

Elisandra Benedita Szubris

e-mail: Elisandra.benedita@unemat.br

Doutora - UNEMAT

 

RESUMO: O Grupo de Trabalho (GT) "Dinâmicas Sociolinguísticas na fronteira Brasil-Bolívia” visa reunir pesquisadores interessados nas interações entre linguagem e sociedade em espaços fronteiriços, criando um ambiente interdisciplinar para o diálogo acadêmico-científico. Os proponentes deste GT são membros do Projeto “Linguística na Fronteira Brasil-Bolívia (LINFRON-UNEMAT)” que tem como objetivo consolidar o Programa de Pós-Graduação em Linguística - PPGL/UNEMAT - através de ações que fortaleçam a produção e divulgação de conhecimentos resultantes de pesquisas realizadas na e sobre a linguagem na fronteira oeste do Brasil. Dessa maneira, desenvolvem pesquisas na Sociolinguística sobre temas que exploram como fatores sociais - como classe, gênero, etnia, idade, localização geográfica, entre outros - influenciam na paisagem linguística, no contato e na variação linguística do português, do espanhol e outras línguas utilizadas na fronteira Brasil-Bolívia. Portanto, o objetivo deste GT é reunir estudos que reflitam sobre dinâmicas sociolinguísticas em espaços fronteiriços, especialmente na fronteira Brasil-Bolívia fundamentados por autores como: Bagno (2015), Calvet (2002), Chambers (1995), Coseriu (1979), Faraco (2008), Labov (2008 [1972]), Macedo Karim (2012), Mollica (2003), Silva (2022), Tarallo (1985), Weinreich (1968), dentre outros autores que se fizerem necessários. Espera-se que, com este grupo de trabalho, seja possível um diálogo entre os participantes sobre as relações entre língua e sociedade, com vistas a uma maior compreensão de fatos linguísticos, no que diz respeito à abordagem de diferentes práticas sociais em espaços fronteiriços. 

 

GRUPO TEMÁTICO 6

 

LITERATURA E OUTRAS ARTES: DIÁLOGOS (IM)POSSÍVEIS




Genivaldo Rodrigues 

e-mail: genivaldosobrinho@unemat.br 


Sobrinho Henrique Roriz Aarestrup Alves

henriqueroriz@unemat.br


RESUMO: Este simpósio se configura em espaço para o recebimento e discussão, acerca de produções da literatura e suas possíveis relações com outras artes. Parte-se de conceitos de diálogos entre manifestações artísticas abordados por estudiosos como Candido (1996), Hall (2007) e Walty (2023), entre outros. Neste simpósio, serão acolhidos diálogos sobre produções literárias e suas relações com outras semioses, artes e mídias. Consideram-se diálogos interartes a partir de conceituações de Antonio Cândido (1996), sobre “a natureza da metáfora”, Stuart Hall (2007) sobre as “diásporas dos signos” e as de Ivete Walty (2023) sobre “territorialidades literárias”, além de teorias específicas sobre as modalidades artísticas com as quais se propõem diálogos. Sobre essa relação entre Literatura e outras modalidades artísticas, Walty afirma que “na verdade, trata-se de dois textos autônomos que se interpenetram, enriquecendo o jogo de significações da leitura. Como se vê, tanto o escritor como o leitor podem se apropriar de imagens para ler o mundo. Palavra ou traço, verbo ou cor, o signo codifica o mundo em suas linguagens. Importa articulá-las” (Walty, 2001, p. 68). Nesse processo, segundo a teórica, o mais importante seria a interação entre os diferentes textos de modo a propiciar a produção de significados, resultando em desvelamentos, questionamentos e criações de novas realidades. No caso da relação entre o texto literário e o imagético, o texto literário pode se converter em imagens, assim como o texto imagético pode criar palavras, cruzando suas fronteiras estéticas ao terem o signo como base comum em suas condições de linguagens. No contexto específico deste simpósio, tomar-se-ão exemplos de recursos estéticos e figuras de linguagem, tais como metáforas, metonímias, comparação, além de outros, ressaltando que as metáforas híbridas são consideradas aquelas que elaboram o patrimônio das linguagens e das culturas locais. Este empenho possibilitará discussões teóricas e críticas sobre a relação intrínseca entre literatura e outras semioses, amparada também em discussões contemporâneas de Ana Kiffer, Florencia Garramuño e Wander Melo Miranda (2014), que entendem os elos entre literatura e outras formas a partir do conceito de “campo expandido” ou de “literatura expandida”, em que as produções “são e não literatura”, pois, “apesar de se apresentarem como literatura, não podem mais ser lidas [apenas] por meio de categorias literárias” (Miranda, 2014, p. 136). Nesse cenário, as relações entre literatura e outras artes emergem no contexto do Modernismo de 1922, pois rompe com os padrões da arte tradicional, ganhando grande notoriedade no Concretismo, movimento pelo qual os irmãos Campos, especialmente Augusto de Campos, propõem uma poesia que se vale de recursos de artes visuais, publicidade, música e expressões digitais, investigando e apresentando instrumentos variados das mídias eletrônicas e das tecnologias. O próprio Augusto escreve, em 2003 e publica em 2015, o texto “Do concreto ao digital”, no qual reforça que, mesmo sem os recursos tecnológicos necessários (que só viriam a se tornar disponíveis no fim do século XX), os concretistas já antecipavam uma estética que, latente e potencialmente, clamavam por semioses além da palavra e por suportes além do papel. Desse modo, o conceito de literatura “verbivocovisual” se funde ao digital por meio dos novos textos que emergem no contexto das redes sociais, dos blogs, das plataformas de streaming, dos jogos digitais, em interseções que, se por um lado dificultam as conceituações e categorias, por outro potencializam a leitura da realidade a partir das linguagens e formas que essa mesma realidade nos impõe.


 

GRUPO TEMÁTICO 7

 

ENTRE SILÊNCIOS E BRADOS DE EXPRESSÃO:

VOZES DA RESISTÊNCIA NA LITERATURA

 

Rubenil da Silva Oliveira

e-mail: rubenil.oliveira@ufma.br   

Doutor em Letras; Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

 

Renata Cristina da Cunha

e-mail: renatacristina@phb.uespi.br  

Doutora em Educação; Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

 

Ruan Nunes Silva

e-mail: ruan@phb.uespi.br

Doutor em Letras; Universidade Estadual do Piauí – UESPI.

 

RESUMO: O presente Grupo de Trabalho pretende reunir pesquisas em desenvolvimento e/ou já concluídas que tratem dos silenciamentos impostos às literaturas as quais abordam os dilemas vividos pelos grupos de minorias sociais – indígenas, sujeitos queers, crianças, idosos, negros – e ainda aquelas produzidas por sujeitos pertencentes a esses grupos. Por outro lado, percebeu-se que Spivak (2014), Bosi (2002), Dalcastagnè (2012), nos seus estudos, ressignificam e dão espaço para que a voz dos subalternizados pelos sistemas e processos culturais se levantem e passem a contar suas histórias sem a ideia de que o cânone possa refutá-las, embora ainda se perceba tentativas de silenciamento como o que aconteceu nos últimos anos em Roraima com a imposição da SEDUC de uma lista proibida de livros, entre os quais Memórias Póstumas de Brás Cubas; depois a recusa de uma escola baiana à leitura de Olhos d’água, de Conceição Evaristo e, neste ano, a recusa da SEDUC do Paraná à leitura de O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório. Dito isto, vê-se que mesmo na contemporaneidade, existem tentativas de silenciamento das literaturas que demonstram as dores e alegrias de um povo sob a alegação de que estas não são uma boa literatura. Isto nos faz indagar – o que é literatura? Afinal, para que serve a literatura? Quem pode e deve produzir uma obra literária? Enfim, essas indagações precisam de pesquisas que as respondam e o nosso GT é um momento para começarmos a pensá-las e buscar respondê-las.

 

GRUPO TEMÁTICO 8

 

ESCREVER PARA NÃO ESQUECER:

AS NOVAS VOZES DA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

 

Ana Claudia Servilha Martins Poleto

e-mail: ana.martins@unemat.br  

Doutora em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL/UNEMAT/Tangará da Serra) / Docente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT/Sinop)

 

Adriana Lins Precioso

e-mail: adrianaprecioso@unemat.br

Doutora em Teoria da Literatura pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Docente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT/Sinop)

 

Jesuino Arvelino Pinto

e-mail: jesuino.pinto@unemat.br  

Doutor em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL/UNEMAT/Tangará da Serra) / Docente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT/Sinop)

 

RESUMO: A proposta deste Grupo Temático (GT) centra-se em diálogos sobre as novas vozes da literatura brasileira contemporânea em uma perspectiva decolonial. Ou seja, visa desenvolver análises e reflexões sobre ficções que tematizam, sistematizam e elucidam historicamente processos de subalternização, apagamento e silenciamento de identidades negras, indígenas, africanas e terceiro-mundistas. Nessa pragmática, as produções literárias de autores/as como Ailton Krenak (2019), Carolina Maria de Jesus (1960), Conceição Evaristo (2003), Daniel Munduruku (2010), Eliana Alves Cruz (2022), Jeferson Tenório (2019), Luciene Carvalho (2020), entre outras importantes intelectualidades do cenário brasileiro contemporâneo, nos lançam para o desafio urgente de (re)pensarmos nossas conjunturas sociais, culturais e identitárias. Nos provocam a conceber a escrita literária enquanto uma via possível de acesso à memórias individuais e coletivas. Em aporte as proposições de Dalcastagnè (2005), e considerando os pressupostos de Cuti (2016), Figueiredo (2016), Santos (2016), e Souza (2016), que estudam a Literatura Negro-Brasileira, e em nomes consagrados dos estudos culturais, tais como: Fanon (2008), Geertz (2008), Ângela Davis(2018), bell hooks (1994) e Lynn Hunt (2009), o presente GT visa oportunizar travessias literárias que auxiliem na validação das vozes de lutas e saberes de grupos que resistem às injustiças produzidas por espaços hegemônicos que não legitimam os princípios da diversidade, da pluralidade e da dignidade humana. Intenta o entendimento que se aproxime da totalidade da complexidade que é o colonialismo imperialista/desumanizador e a colonialidade que escravizou/violou incontáveis corpos, que promoveu o genocídio de milhares de culturas. Em suma, as novas vozes da literatura brasileira contemporânea ensinam, sobretudo, que é necessário escrever para não esquecer.

 

GRUPO TEMÁTICO 9

 

ESCRITAS DE MULHERES AFRICANAS E AFRODIASPÓRICAS

NO CENÁRIO DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA

 

Marinei Almeida

e-mail: marinei.almeida@unemat.br   

Doutora - UNEMAT/PPGEL UNEMAT e UFMT

 

Celiomar Portfírio Ramos

e-mail: celiomar.ramos@ufmt.br  

Doutor – UFMT

 

Rodolfo Moraes Farias

e-mail: rodolfetz83@gmail.com   

Doutor - UNEMAT

 

RESUMO: A necessidade de ouvir/ler, refletir, discutir e analisar produções daquelas que tiveram as vozes silenciadas por sistemas opressores se faz urgente, sobretudo em um país que tem sua base fincada ainda em um sistema neocolonialista. Apesar de tímida, nos últimos anos é notório a conquista de   espaço das mulheres no mercado editorial e, por conseguinte, tem aumentado de forma significativa o interesse de estudiosas e estudiosos em pesquisar tais produções. Em se tratando da produção literária de mulheres africanas e afrodiaspóricas, a partir do século XX, vem ganhando espaço num contexto em que a literatura foi e é produzida, principalmente, por homens brancos (DALCASTAGNÈ, 2008). A visibilidade da escrita de mulheres africanas e afrodiaspóricas é importante, entre outros fatores, por apresentar uma nova perspectiva social (YOUNG, 2000) permitindo, assim, que elas se autorrepresentem e representem suas semelhantes e, consequentemente, rasure os estereótipos atribuídos a elas na literatura dita hegemônica. Tal autoria é, sem dúvidas, uma grande conquista, visto que ao “assenhorar-se da pena” essas mulheres que foram, por muito tempo, apenas objeto nos textos literários, tornaram-se sujeito na/da produção literária contemporânea. Com isso, apresentam textos/escrevivências que são, em sua maioria, marcados pela subjetividade e pela memória. Contudo, muitas vezes, sem se centrar em si, evidenciando uma memória coletiva. Segundo Mata (2008), tais literaturas são metonímias da história dos países e podem ser consideradas textos memórias. Dado o exposto, nosso objetivo é reunir trabalhos que discutam a produção literária de autoras negras em diferentes gêneros literários, com os seguintes objetivos: (1) debater a importância da autoria feminina no cenário da literatura contemporânea; (2) refletir como se dá a representação de mulheres africanas e afrodiaspóricas na literatura contemporânea; (3) abordar a relevância de tais produções literárias no cenário africano, afro-brasileiro e afrodiaspórico; (4) discutir em que medida essas produções contribuem para desconstruir os estereótipos atribuídos a população racializada, em especial, à mulher negra. Os objetivos apresentados deverão adotar uma perspectiva interseccional que a inter-relação de gênero, raça, condição social e outros marcadores sociais, uma vez que tais aspectos são relevantes para pensar o lugar atribuído às mulheres africanas e afrodiaspóricas na sociedade contemporânea.

 

GRUPO TEMÁTICO 10

 

ESTUDOS DIALÓGICOS, PRÁTICAS DE LINGUAGEM E ENSINO

 

Jane Cristina Beltramini Berto

e-mail: jane.beltramini@ufrpe.br

Doutorado em Letras (Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE/PPGL-UNICENTRO/CNPq/FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA)

 

Fabiane Eisele Zilio

e-mail: fabianeeisele@gmail.com

Doutoranda em Letras (Universidade Estadual do Centro-Oeste- UNICENTRO-PR)

 

Silvânia Maria da Silva Amorim

e-mail: professorassilvanis@hotmail.com 

Doutoranda em Letras (Universidade Estadual do Centro-Oeste - UNICENTRO-PR)

 

RESUMO: O grupo de trabalho “Estudos Dialógicos, Práticas de Linguagem e Ensino” vincula-se a Linguística Aplicada e congrega estudos fundamentados na teoria dialógica desenvolvida pelo Círculo de Bakhtin, Volóchinov e Medviédev em suas interfaces com outras áreas compatíveis. Compreendendo a natureza sócio-histórica da linguagem, visamos às contribuições de estudiosos e de pesquisadores que se dedicam a problematizar as questões que envolvem o ensino das práticas de linguagem: de oralidade, de leitura, de escrita/reescrita e de análise linguística/semiótica, a compreensão do discurso nos enunciados, a singularidade do projeto enunciativo e as relações sociais refratadas nos textos em níveis e modalidades de ensino diversas. A proposta deste GT agrupa os resultados de pesquisas de cunho teórico-metodológico, teórico-analítico e encaminhamento prático em sala de aula, que contemplem orientações advindas de documentos oficiais, os currículos, os materiais didáticos, as práticas avaliativas, as experiências e as inovações teórico-práticas na contemporaneidade, sob o escopo dialógico. Desse modo, almeja-se que as discussões pertinentes ao tema, em conjunto às reflexões oriundas do Grupo de Pesquisa Interação e Ensino (PPGL- UNICENTRO/CNPq), ampliem debates visando ao aprimoramento do ensino de línguas em âmbito escolar e à compreensão de enunciados mobilizadores de discursos, valores e de tensões socioideológicas, na formação inicial e continuada de professores.

 

GRUPO TEMÁTICO 11

 

ESTUDOS SOBRE LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS

 

Eduardo Alves Vasconcelos

e-mail: eduardo.vasconcelos@unifap.br

Doutor. Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Amapá (PPGL/UNIFAP)

 

Glauber Romling da Silva

e-mail: glauberomling@yahoo.com.br

Doutor. Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Amapá (PPGL/UNIFAP)

 

RESUMO: A diversidade linguística brasileira é marcada por um número significativo de línguas indígenas faladas em diferentes regiões do Brasil, em diversos contextos de contato com outras línguas indígenas e com o português. Os estudos linguísticos dessas línguas têm tido importantes desenvolvimentos nas últimas décadas, em parte pela ampliação de centros de formação, em parte pelo surgimento de estudos dessas línguas conduzidos por seus falantes. Vale destacar os desenvolvimentos provenientes da proclamação, pela UNESCO, da Década Internacional das Línguas Indígenas, que busca congregar ações de fortalecimento e reconhecimentos dessas línguas, e a oferta de vagas para indígenas em diversos programas de pós-graduação em Letras e Linguística em diferentes instituições de ensino. Esses dois eventos, mais recentes no histórico de estudos dessas línguas, apontam para uma maior diversidade de análises e abordagens no cenário científico brasileiro. Nesse sentido, neste grupo de trabalho, serão aceitos estudos sobre línguas indígenas, de diferentes abordagens e perspectivas teóricas, bem como de diferentes áreas da Linguística, por exemplo: análise e descrição linguísticas de línguas indígenas brasileiras em seus diferentes aspectos – fonética, fonologia, morfologia e sintaxe; análise e projetos de documentação linguística; estudos relacionados a políticas linguísticas, variação linguística em línguas indígenas e outros relacionados a aspectos sociolinguísticos dessas línguas; projetos e ações de revitalização e/ou vitalização das línguas, bem como estudos de interfaces com Antropologia, Educação e História e demais áreas afins.

 

GRUPO TEMÁTICO 12

 

FORMAÇÃO DO DOCENTE DE LÍNGUAS E LITERATURAS:

ENTRE A TRADIÇÃO E A INOVAÇÃO NOS DOIS LADOS DO ATLÂNTICO

 

Natália Albino Pires

e-mail: npires@esec.pt

Doutora em Filologia Hispânica; Escola Superior de Educação e inED Polo de Coimbra - Instituto Politécnico de Coimbra / Cátedra em Património Imaterial e Saber-Fazer Tradicional e CIDEHUS - Universidade de Évora / CREILHAC – Universidade Assene Seck (Ziguinchor, Senegal)

 

Silvia Cinelli Quaranta

e-mail: cinequaranta@gmail.com

Mestre em Educação; Prefeitura da Estância Balneária de Praia Grande

 

RESUMO: Natália A. Pires, no âmbito da formação de professores, tem pesquisado sobre a importância da literatura tradicional e da metodologia de laboratório de língua na aula português, destacando a relevância que possuem para o desenvolvimento linguístico de crianças entre os 3 e os 12 anos e para a formação de leitores. Silvia C. Quaranta pesquisa a prática pedagógica e a formação do professor de Educação Física e Educação Infantil a partir de uma perspectiva crítica (Franco, 2021; Freire, 1984), tTem como objeto de estudo o brincar como uma possibilidade de uma prática pedagógica que necessita de observação, planejamento, atenção, estudo e conhecimento  para que possa se desenvolver dentro da escola.  Com este grupo temático gostaríamos de incidir o debate sobre a formação de professores e o papel do brincar, da dramaturgia, do jogo, do lúdico, enquanto estratégias pedagógicas para o ensino da língua e da literatura, com crianças dos 3 aos 10 anos. Poderá o brincar, o jogo, o lúdico serem  estratégias pedagógicas que potencializem o conhecimento sobre a língua materna e o desenvolvimento de hábitos de leitura de modo a constituir-se como uma ferramenta que possibilite formar leitores fluentes? Como os  documentos reguladores da formação docente de ambos os lados do Atlântico permitem as pedagogias focadas no brincar? Como pode ser a formação de professores, em uma perspectiva crítica, para uma didática que traga elementos que possibilitem modificar a sala de aula, de uma educação bancária para uma educação participativa, onde o aluno tenha voz, seja estimulado a querer mais? Para fomentar as interações e relações, as perspectivas teóricas que fundamentariam o GT seriam baseadas em Paulo Freire, Maria Amélia R. S. Franco, Tizuko Kishimoto, Tânia Fortuna, José Carlos Libâneo, Carlos Neto, Johan Huizinga, Roger Callois, Adriana Friedmann, Isabel Solé, Carlos Alberto Jiménez, entre outros, além de possibilidade de discussões baseadas em documentos oficiais como Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (OPECE) (Portugal, 2016); Orientações Pedagógicas para Creche (OPC) (Portugal, 2024); Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCN – LP) (Brasil, 2001), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2017), entre outros. Para além de procurar discutir e buscar respostas as questões aqui propostas,  pensamos que o grupo temático poderá ser um espaço de partilha de boas práticas letivas de ambos os lados do Atlântico em que o brincar, o jogo, o lúdico sejam estratégias pedagógicas no ensino da língua e da literatura, estimulando a curiosidade espistemológica necessária ao processo de aprendizagem.

 

GRUPO TEMÁTICO 13

 

FORMAÇÃO DOCENTE, ENSINO E

 APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS ADICIONAIS NA INFÂNCIA

 

Olandina Della Justina

e-mail: olandina.dellajustina@unemat.br

Doutora - UNEMAT/Sinop

 

Juliana Freitag Schweikart

e-mail: juliana.freitag@unemat.br

Doutora - UNEMAT/Sinop



Juliana Reichert Assunção Tonelli

e-mail: jtonelli@uel.br

Doutora - UEL

 

RESUMO: Este grupo de trabalho tem por finalidade compartilhar, divulgar e discutir pesquisas e relatos de experiências que englobam a formação de professores (inicial e contínua) para atuar com línguas adicionais (inglesa, espanhola, portuguesa, línguas de sinais, entre outras), acerca do ensino e da aprendizagem de línguas adicionais para crianças, políticas públicas, iniciativas formativas e didático-pedagógicas voltadas para essas línguas na infância. Preocupa-se, sobretudo, com as demandas do cenário contemporâneo como criatividade e alternativas de abordagens de ensino conectadas com as demandas e uso de novas tecnologias para o ensino e a aprendizagem de línguas adicionais, bi/pluri/multilingualismo e experiências vivenciadas nos diversos ambientes escolares (escola regular, de ensino bilíngue, educação bilíngue e de cursos livres). De forma ampla, interessa-se pelos fenômenos linguísticos e educacionais presentes no meio social e no ambiente escolar ligados à aprendizagem de línguas adicionais e ao desenvolvimento linguístico e sociocultural infantil em diferentes contextos, quer sejam públicos ou privados. Além disso, lança um olhar mais atento à produção de conhecimento inerente ao contexto linguístico e cultural, especialmente, da Amazônia Legal, mas que se constrói no diálogo com estudos além desse espaço geolinguístico objetivando a conexão contínua, ora harmônica, ora conflituosa, entre o macro e o microssistema em que se constituem todas as linguagens. 

 

GRUPO TEMÁTICO 14

 

IDENTIDADES, POLÍTICAS E

PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE

 

Leandro José do Nascimento

e-mail: leandro.nascimentomt@gmail.com

Doutor em Estudos de Linguagem. Faculdade de Tecnologia de Sinop (FASTECH)

 

Luciano da Silva Pereira

e-mail: luciano.profufmt@gmail.com

Doutorado em Educação. Universidade Federal de Mato Grosso – Campus Araguaia

 

RESUMO: O eixo temático tem como objetivo, discutir a formação e a prática docente, sobretudo, os da área da linguagem, a partir dos eixos: políticas educacionais, práticas pedagógicas, identidades e formação de professores. Dessa forma, buscamos realizar um grupo de trabalho que tenha relevância acadêmica, que proporcione a formação de professores, a produção e a democratização de conhecimento e que possibilite uma estreita relação entre a Universidade, Secretarias Municipais e Estaduais de Educação e a Comunidade a partir das políticas formativas. A educação básica, segundo dados da Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso, está estruturada numa proposta político-pedagógica/curricular que prevê a inclusão de todos (as). Formalmente, a rede tem oferecido educação especial, educação do campo, educação de jovens e adultos, educação quilombola e indígena. Em tese, as práticas e políticas buscariam atender demandas, propondo sua organização de ensino estrutural por meio dos ciclos de formação humana. Ao propor essa organização, faz-se necessário o reconhecimento da diversidade cultural que se apresenta na sociedade, propondo superar as formas de discriminação, segregação e exclusão escolar, numa proposta inclusiva, envolvendo todos os profissionais e a comunidade escolar. A partir desse formato, seria preciso contemplar as discussões nos programas de formação continuada e nas práticas pedagógicas contribuindo para o aprimoramento da prática docente e implementação de políticas de formação continuada. Nesse sentido, esse grupo temático objetiva receber trabalhos centrados em estudos e pesquisas (em andamento e concluídas), de discentes da graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores do ensino superior e educação básica que discutam, políticas e práticas pedagógicas da/na formação docente. Durante as apresentações, buscaremos estabelecer um espaço de reflexão e diálogo, mediada pelo debate crítico, reflexivo e científico das temáticas apresentadas. Espera-se que o resultado dos trabalhos apresentados amplie ainda mais o campo das investigações sobre as políticas, identidade e práticas relacionadas formação docente, impulsionando a criação de novos currículos e práticas que respeitem as diferentes identidades, reconheçam a diversidade presente no espaço e provoquem outras formas de pensar a educação. Considerando as legislações em vigor, exige-se um processo com capilaridade para absorver um mosaico que incida na realidade de profissionais, levando-os/as a problematizar as práticas pedagógicas, sendo essa uma articulação cada vez mais abrangente, resultando em práxis emancipatórias no acontecimento comunitário nas escolas.

 

GRUPO TEMÁTICO 15

 

INTERNACIONALIZAÇÃO E ENSINO DE LÍNGUAS

 

Patricia Christina dos Reis

e-mail: reispatricia2003@yahoo.com

Doutorado. Universidade do Estado do Amazonas (CESP/UEA)

 

Vanúbia Araújo Laulate Moncayo

e-mail: vmoncayo@uea.edu.br

Doutorado. Universidade do Estado do Amazonas (Assessoria de Relações Internacionais – ARI-UEA)

 

RESUMO: A partir do encontro da UNESCO realizado em Paris, em 1998, a cooperação e o intercâmbio internacional passaram a estar entre as metas de instituições de ensino superior de todo o mundo. Desde então as universidades brasileiras vêm criando políticas educacionais para atender essa nova demanda e procuram qualificar seus profissionais para tal fim.  Este GT pretende reunir trabalhos que contemplem os processos de internacionalização das universidades brasileiras, suas ações, desafios, e alcances nas últimas décadas. Nesses processos, muitos são os envolvidos:  assessores, pessoal especializado e professores que desenvolvem cursos de línguas, com o intuito de preparar seus alunos para a mobilidade acadêmica, ou receber estudantes de outros países que vêm estudar em nossas instituições. Nessa direção, as universidades brasileiras têm oferecido cursos em diversas línguas estrangeiras, assim como cursos de português para falantes de outras línguas. Pensando na atuação dos profissionais dessa área, convidamos para esse GT, professores e estudantes que queiram compartilhar suas experiências nesses cursos, seja ensinando ou aprendendo uma nova língua. As proponentes desse GT realizam pesquisa sobre ensino e aprendizagem de línguas, incluindo tal aprendizagem como vetor do processo de internacionalização do Ensino Superior, com embasamento teórico-metodológico advindo da Linguística Aplicada e dos estudos sobre formação de professores. Assim, abrem espaço para discussões em torno de práticas pedagógicas, formação de professores, políticas públicas, entre outras questões que devem ser levadas em conta quando se pensa no ensino de línguas para fins de internacionalização da Educação Superior. 

 

GRUPO TEMÁTICO 16

 

INTERSEÇÕES ENTRE LITERATURA, OUTRAS ARTES E MÍDIAS

 

Sílvio Rodrigo de Moura Rocha

e-mail: silviorocha@ufv.br

Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas. Professor da Universidade Federal de Viçosa – Campus Florestal.

 

Luciana Brandão Leal

e-mail: luciana.brandao@ufv.br

Doutora em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas. Professora da Universidade Federal de Viçosa – Campus Florestal.

 

RESUMO: Neste simpósio, acolhemos diálogos sobre produções literárias e suas relações com outras semioses, artes e mídias. Consideram-se diálogos interartes a partir de conceituações de Antonio Cândido (1996), sobre “a natureza da metáfora”, Stuart Hall (2007) sobre as “diásporas dos signos” e as de Ivete Walty (2023) sobre “territorialidades literárias”, além de teorias específicas sobre as modalidades artísticas com as quais se propõem diálogos. No contexto específico deste simpósio, tomaremos exemplos de metáforas literárias e estéticas ressaltando que são metáforas híbridas, que elaboram o patrimônio das linguagens e das culturas locais. Este empenho possibilitará discussões teóricos e críticas sobre a relação intrínseca entre literatura e outras semioses, amparado também em discussões contemporâneas de Ana Kiffer, Florencia Garramuño e Wander Melo Miranda (2014) que entendem os elos entre literatura e outras formas a partir do conceito de “campo expandido” ou de “literatura expandida”, em que as produções “são e não literatura”, pois, “apesar de se apresentarem como literatura, não podem mais ser lidas [apenas] por meio de categorias literárias” (MIRANDA, 2014, p. 136). Nesse cenário, as relações entre literatura e outras artes emergem no Modernismo de 1922 e ganham grande notoriedade no Concretismo, movimento pelo qual os irmãos Campos, especialmente Augusto de Campos, propõem uma poesia que se vale de recursos de artes visuais, publicidade, música e expressões digitais, investigando e apresentando instrumentos variados das mídias eletrônicas e das tecnologias. O próprio Augusto escreve, em 2003 e publica em 2015, o texto “Do concreto ao digital”, no qual reforça que, mesmo sem os recursos tecnológicos necessários (que só viriam a se tornar disponíveis no fim do século XX), os concretistas já antecipavam uma estética que, latente e potencialmente, clamavam por semioses além da palavra e por suportes além do papel. Desse modo, o conceito de literatura “verbivocovisual” se funde ao digital, por meio dos novos textos que emergem no contexto das redes sociais, dos blogs, das plataformas de streaming, dos jogos digitais, em interseções que, se por um lado, dificultam as conceituações e categorias, por outro, potencializam a leitura da realidade a partir das linguagens e formas que essa mesma realidade nos impõe.

 

GRUPO TEMÁTICO 17

 

LEITURA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL:

NOVOS CONTEXTOS PARA NOVOS LEITORES

 

Rosana Rodrigues da Silva

e-mail: rosana.silva@unemat.br

Doutorado. UNEMAT/ Campus Sinop-MT

 

Rosemar Eurico Coenga

e-mail: rcoenga@gmail.com

Doutorado. PPG/UNIC/IFMT

 

Eliane Aparecida Galvão Ribeiro Ferreira

e-mail: eliane.galvao@unesp.br

Doutora. UNESP/FCL-Assis

 

RESUMO: A literatura destinada a crianças e jovens tem sua origem demarcada no processo de escolarização, em que necessitou atender a interesses da família e da escola. Inserida nesse contexto, seu estudo frequentemente está associado às práticas metodológicas de leitura, em que novas teorias buscam caminhos para a formação do leitor literário. Cada vez mais disputado pela cultura midiática, o jovem leitor se depara com uma efusão de textos em um mercado bastante competitivo no gênero infantil e juvenil. Séries de suspense, romances de fantasia, HQs, literatura em quadrinhos, literatura digital, são algumas das formas que têm direcionado o gosto de novos leitores; dividindo espaço com as conhecidas releituras de contos folclóricos, lendas e mitos. Ao lado desses, nas estantes de bibliotecas, estão catalogadas as literaturas de autoria indígenas, africanas e afro-brasileiras, destinadas ao público infantil. O espaço multicultural da contemporaneidade possibilita a variedade de autores e títulos que comprovam a diversidade cultural também no reino encantado dos novos leitores. Na dicotomia do lúdico e do pedagógico, autores se dividem entre o comprometimento com a aprendizagem escolar e o trabalho com a ludicidade. De qualquer modo, o texto ganha materialidade no trabalho aprimorado das técnicas de ilustração, dos aspectos gráficos que possibilitam uma leitura interativa. O gênero infantil e juvenil, ao mesmo tempo em que promove o diálogo com a tradição oral e popular; permite-se ser renovado com as vanguardas artísticas, com as novas tecnologias; permitindo também temáticas inclusivas, atentas para as relações étnico-raciais. Buscando atender às múltiplas formas literárias que demarcam o gênero, bem como as pesquisas metodológicas e práticas acerca da leitura, este GT acolhe trabalhos da teoria, história e crítica literária que estudem autores e obras, destinadas a crianças e jovens; quer sejam formas da tradição clássica da narrativa ou formas de adaptação, literatura digital, narrativas dramatizadas, formas poéticas e outros processos artísticos, incluindo relatos de experiencias de práticas de leituras. 

 

GRUPO TEMÁTICO 18

 

LITERATURA NO MEIO: ECOCRÍTICA, LITERATURA E ARTES

 

Maria Cândida Ferreira de Almeida

e-mail: mferreir@uniandes.edu.co

Doutora em Estudos Literários, Universidad de los Andes, Colômbia.

 

Albeley Rodríguez Bencomo

Doutora em Estudios Culturales Latinoamericanos, Universidad Andina Simón Bolívar, Ecuador.

 

Diego Fabián Arévalo Viveros

Pós-doutorado na Universidade Misak, Reserva Ancestral Silvia, Cauca, Colômbia.

 

RESUMO: Este Grupo Temático pretende reexaminar o papel da literatura e das artes como manifestações de uma relação em constante transformação do humano com o mundo. O objetivo é explorar, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, as formas pelas quais, por meio da ecopoética, a literatura, as artes visuais e as ecologias estão abordando questões associadas à crise do período chamado Antropoceno. Podemos apontar o surgimento de dinâmicas criativas que repensam a relação entre o ser humano e o seu ambiente, bem como as fronteiras entre o humano e o não humano, a natureza e a cultura. Este GT pretende reunir pesquisadores interessados na relação estabelecida pela literatura e as artes visuais com o meio ambiente e que tem se organizado na forma de ecoarte e é estudada pela ecocrítica. Esta linha de pesquisa que nasceu da junção de duas palavras – “Ecologia” e “Crítica” – a ecocrítica nos traz o conceito de “casa”, do grego “oikos”, e que está em “eco” tomado como metáfora do meio ambiente, desta forma, podemos falar de uma perspectiva comprometida com o entorno natural, por parte de quem cria e presente na perspectiva de quem analisa a obra. Neste caminho a teoria ecocrítica, busca atravessar todos os temas que encontramos na natureza – não só os elementos que compõem o planeta, a sua fauna e a sua flora, como também assuntos tão abstratos como o espaço celeste e os elementos que o caracteriza. Abarcando a forma como experienciamos estas relações partindo do nosso próprio corpo, transversalidade também pertinente à ecocrítica. Finalmente, trazendo a perspectiva que privilegia o lugar, a ascendência e tudo aquilo que nos é primordialmente intrínseco e identitário e que fundamentalmente fazem parte da nossa conexão com o exterior. Abrindo um amplo campo interdisciplinar, a contiguidade entre humano-meio ambiente pode ser enfocada por diferentes disciplinas do conhecimento, o qual organiza os estudos comparados da literatura e o discurso ecológico criando um campo expandido com a antropologia, a filosofia, a sociologia, a psicologia e a ética. Assim que este GT receberá propostas que ressaltem as relações estabelecidas entre literatura, as artes visuais e outras disciplinas tendo como eixo transversal o tema ambiental. Buscamos especialmente, pesquisadores dedicados a compreender a presença na literatura e nas artes do conjunto de espécies de plantas, animais e outros microrganismos, que partilham um território ou biótopo e as suas condições climáticas, geológicas ou geográficas. 

 

GRUPO TEMÁTICO 19

 

LITERATURA, CULTURA E IDENTIDADE:

ESTUDOS DO PROCESSO DE INTERAÇÃO DA LITERATURA

E SUAS CONFLUÊNCIAS ENTRE INSTÂNCIAS DE LINGUAGEM

 

Claudia Miranda da Silva Moura Franco

e-mail: claudia.franco@unesp.br

Doutoranda - UNESP - IBILCE

 

Giselli Liliani Martins

e-mail: advocacia.glm@gmail.com

Mestra - UNEMAT

 

Kátia de Oliveira Carvalho

e-mail: katia.carvalho@unemat.br

Mestra - UNEMAT

 

RESUMO: Ao estabelecer no discurso literário a aproximação com o contexto cultural, social e histórico, observamos que a criação literária e seu trabalho com a linguagem é capaz de fazer ver, com palavras, o sensível, aquilo que muitas vezes, nos escapa aos olhos e só é possível enxergar pela experiência. No Brasil, a literatura contemporânea tem se alimentado dos eixos memória, história, e identidade para formação de uma desconstrução das práticas delineadas pela colonialidade. Desse modo, a ficção busca nos fenômenos culturais que produziram e reproduziram, por muito tempo, a exclusão de povos, gêneros e culturas que se evidenciaram pela (in)submissão, postos fora do modelo de humanização. O presente eixo de estudos busca compreender a memória (Ricoeur, 2007), como a ideia de pensar sua relação com a produção do conhecimento e investigar as confluências entre cultura, história e sociedade como instâncias de linguagem que se abrem não só a perspectiva da análise da memória bem como a de aspectos culturais e identitários reconfigurados pelo texto literário, e ainda, de modo mais amplo, considerar o processo de criação literária, por meio de teorias que estudam as narrativas e as abordagens de temáticas culturais, sociais e identitárias inscritas na ficção (Hall, 2013; Bhabha, 2013), que aludem o tempo vivido como experiência e a construção narrativa como consciência (Ricoeur, 2007), somando-se a elementos comuns da narrativa fantástica, que se opõe ao mundo visível, fundado na desigualdade social com vistas à ruptura de paradigmas da própria sociedade contemporânea para a subversão de tradições e valores.

 

GRUPO TEMÁTICO 20

 

MEDIAÇÃO DE LEITURA LITERÁRIA E

FORMAÇÃO DE LEITORES NA EDUCAÇÃO BÁSICA

 

José Humberto Rodrigues dos Anjos

e-mail: josehumberto2@ufg.br

Doutor (UFG-UEG/POSLLI)

 

Cloves da Silva Junior

e-mail: cloves.junior@ifg.edu.br

Doutor em Letras e Linguística (IFG-SEDUC/GO)

 

RESUMO: Trata-se de um Grupo Temático (GT), vinculado ao eixo “Ensino e aprendizagem de línguas e literaturas”, que receberá pesquisas desenvolvidas ou em andamento sobre mediação de leitura literária e educação literária na Educação Básica, com o objetivo discutir, problematizar e reconhecer a importância do texto literário na formação integral dos estudantes. Para tanto, buscamos estudos de pesquisadoras e pesquisadores que façam suas análises sobre obras de escritoras e escritores de diferentes países e tempos históricos, e que discutam questões como história, memória, relações sociais, educação, violências, resistências e outras discussões possíveis a partir do trabalho ético, estético e político da literatura. Considerando que a formação de leitores é um processo contínuo e que é importante atentar-se para os modos como as novas gerações vinculam-se (ou não) à leitura literária, urge (re)pensar práticas de abordagem do texto literário em sala de aula para proporcionar novos encontros com os livros a partir da figura essencial do mediador nesse processo. Entendemos a literatura como um importante canal de compartilhamento de bens simbólicos, ao passo que proporciona um arcabouço cultural, linguístico e social, e isso acontece porque ela não é apenas uma disciplina, mas um meio de enxergar a realidade e, por isso, está aliada às múltiplas formas de conhecimento e mobilização dos saberes. Os motivos evidentes para uma educação promovida pela literatura partem da concepção de engajamento social, em que é preciso colaborar com as futuras gerações, a fim de que elas possam ser menos preconceituosas, menos violentas, e, por conseguinte, enxerguem outras existências que podem ser iguais ou diferentes às suas. Para isso, é preciso que conjuntamente construamos um projeto nacional de cidadania, capaz de demonstrar e levar às pessoas uma consciência política e com engajamento social. Esperamos, a partir da realização do GT, compartilhar saberes e experiências sobre educação literária e socializar estratégias metodológicas que podem ser disseminadas na Educação Básica.

 

GRUPO TEMÁTICO 21

 

MODERNISMOS E REGIONALISMOS:

EXPRESSÕES LITERÁRIAS DA CONTEMPORANEIDADE BRASILEIRA

 

Carolina Barbosa Lima e Santos

e-mail: carolsartomen@gmail.com

Estagiária de Pós-Doutoramento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (CAPES/ PPGEL/UFMS)

 

Wellington Furtado Ramos

Doutor na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGEL/UFMS)

 

Melly Fátima Goes Sena

Doutoranda da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGEL/UFMS)

 

RESUMO: O centenário da Semana de Arte Moderna e o Bicentenário da Independência do Brasil são episódios que nos convidam a refletir a respeito do imaginário brasileiro, a problematizar determinados traumas históricos e a avaliar novas disputas em torno de projetos de nação. Valendo-nos desses marcos históricos como ponto de partida para o desenvolvimento de nossas reflexões, propomos aqui uma revisão crítica a respeito dos conceitos relacionados à modernidade e à identidade nacional em meio à contemporaneidade brasileira. Sob o viés dos estudos literários, em diálogo com outras áreas do conhecimento, procuramos discutir a importância de projetos de nação comprometidos com a expansão da ideia de Brasil e o com o acolhimento de subjetividades regionais historicamente invisibilizadas em meio aos debates midiáticos, culturais e/ou políticos realizados em âmbito nacional. Partindo da compreensão de que nem mesmo a noção de humanidade possui um sentido estático, a filósofa Rita de Cássia Ferreira Lins e Silva, em “O pluralismo e a nova ordem mundial” (2016), propõe um questionamento em torno do conceito de universal que exclui aspectos da identidade e da alteridade. Nesta perspectiva, diante da concepção equivocada relacionada à ideia de universalidade, que silenciou grupos sociais considerados minoritários, ascendem determinadas vozes na contemporaneidade engajadas com a proposição de um outro paradigma de mundo, ancorado no entendimento de sua diversidade. Partindo desta compreensão e cientes da importância da literatura para a formação do imaginário de uma sociedade, propomos aqui uma discussão em torno do revisionismo crítico e de uma possível ampliação do que hoje é compreendido como cânone literário brasileiro. É preciso que propostas de autores advindos de regiões historicamente invisibilizadas em meio a debates acadêmicos, midiáticos e/ou artísticos, realizados em âmbito supostamente nacional, passem a ser avaliadas de forma democrática em universidades de grandes metrópoles do país, assim como escritores de grandes centros urbanos circulam em meio aos currículos escolares e universitários pelas regiões interioranas do Brasil. É preciso que estados como Mato Grosso do Sul, Acre, Tocantins, Roraima e Amapá passem a ser compreendidos como espaços que acolhem sujeitos produtores de conhecimento e de expressões artísticas caso tenhamos o interesse em um projeto de nação diferente daquele que, outrora, pretendia homogeneizar e hierarquizar expressões de uma cultura advinda de relações coloniais de poder. Ao pensar na circulação e na avaliação das produções literárias advindas dessas regiões periféricas em meio às grandes metrópoles brasileiras, propomos um espaço de discussão em torno da efetivação do projeto modernista de horizontalizar e “postular uma reciprocidade de perspectivas em que cada um deles reflete sobre si mesmo e projeta uma imagem” (PASINI, 2022, p. 29) em um mapa literário descentralizado, configurado “em prismas específicos e originais, que iluminam um circuito uno e desigual a partir de ângulos diferentes” (PASINI, 2022, p. 33). Este GT é um dos resultados do projeto Ainda o Regionalismo, nosso contemporâneo?, que conta com apoio financeiro da Fundect/MS, por meio do Termo de Outorga n. 290/2022.

 

GRUPO TEMÁTICO 22

 

MONSTROS E MONSTRUOSIDADES NO ARQUIVO LITERÁRIO

 

Filipe Amaral Rocha de Menezes

e-mail: filipearm@gmail.com

Doutor. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

 

Késia Rodrigues de Oliveira

Doutora. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

 

Maria Silvia Duarte Guimarães

Doutoranda. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG

 

RESUMO: Propomos criar um espaço acadêmico para a apresentação de trabalhos e provocação de debates sobre a literatura, para analisar e discutir a ampla temática dos monstros no arquivo literário e em outras implicações artísticas e culturais nas quais a monstruosidade se faz notável. Segundo Luiz Nazário, o monstro define-se, em primeiro lugar, em oposição à humanidade; ele é o seu inimigo mortal, aquele contra o qual ela só pode reagir pelo extermínio; no imaginário popular, o Mal é enorme, maciço, assumindo frequentemente a forma excessiva de uma animal antediluviano. Jeffrey Jerome Cohen propõe que as culturas sejam compreendidas a partir dos monstros que geram, e, assim, o monstro nasce nessas encruzilhadas metafóricas, como a corporificação de um certo momento cultural – de uma época, de um sentimento e de um lugar. Segundo José Gil, neste fim de século, os monstros proliferam: vemo-los por todos os lados, no cinema, na banda-desenhada, em gadgets e brinquedos, livros e exposições de pintura, no teatro e na dança. Invadem o planeta, tornando-se familiares. Cessarão, muito em breve, de nos parecer monstruosos e ser-nos-ão até simpáticos, como já acontece a tantos extraterrestres das séries de televisão. Havemos de falar então da "monstruosidade banal", como se fala agora da violência banal - o que constitui, precisamente, uma aberração. O que inquieta realmente é que não há seleção nem escolha preferencial destes novos invasores: assim como a Antiguidade adorou os centauros, as quimeras e os sátiros, também nós teríamos podido privilegiar os monstros imaginários, resultado de cruzamentos entre espécies diferentes. Entre os objetivos que estabelecemos para este GT, estão o papel do monstro em suas concepções folclóricas, culturais e literárias; os limites da representação do monstro e o que se esconde atrás da imagem do monstro; as possibilidades e as impossibilidades da monstruosidade humana e a monstruosidade dos eventos catastróficos provocados pelo homem. A partir da contribuição teórica de autores como Jeffrey Jerome Cohen, José Gil, Luiz Nazário, Julio Jeha, Lyslei Nascimento, Luís da Câmara Cascudo e Mary del Priori, entre outros, espera-se que as contribuições se integrem para refletir como o monstro e as monstruosidades estão ainda muito presentes no cotidiano das artes. Entre tópicos para discussão, destacamos os seguintes: a) Monstros no arquivo literário e cultural; b) A monstruosidade humana e suas múltiplas facetas; c) A monstruosidade dos eventos humanos catastróficos e d) crimes, pecados e monstruosidades – o mal encarnado.

 

GRUPO TEMÁTICO 23

 

(MULTI)LETRAMENTOS, DECOLONIALIDADE/ANTICOLONIALIDADE

 E PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA

 

Tiago Alves Nunes

e-mail: tiagopark@gmail.com

Doutor, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

 

Cintia Bárbara Silva Borges

e-mail: cintiabarbara11@hotmail.com  

Mestra, Universidade do Estado da Bahia (UNEB – Campus X)

 

Maria Eugenia Santos Conceição

e-mail: mariaconceicao@uneb.br  

Mestra, Universidade do Estado da Bahia (UNEB – Campus V)

 

RESUMO: As práticas de linguagem que se desenvolvem na sociedade de modo geral e em ambientes de aprendizagem, formais ou não formais no contexto do Sul Global, são, em sua maioria, perpassadas pela construção epistêmica da modernidade/colonialidade (Mignolo, 2017; Maldonado-Torres, 2011; Grosfoguel, 2007), fruto das relações de poder impostas pelo colonialismo, o que gerou colonialidades, sobretudo na educação, no seu processo de formação e organização e, igualmente, na práxis pedagógica. Ademais, em um movimento contrário a isso, no contexto das práticas de linguagem e da educação linguística (Ferraz, 2017), há que se dá relevância e especial atenção às práticas de (multi)letramentos (Kleiman,1995; Street, 2014; Cazden et. 1996) que proporcionem a diversidade e pluriversalidade de culturas e de semioses, uma vez que esses aspectos constroem as práticas discursivas que se fomenta socialmente e em sala de aula, por exemplo; além disso, também é oportuno e relevante que, na educação linguística, sejam estimuladas práxis pedagógicas de existências e resistências às diversas violências sociais estabelecidas e comumente naturalizadas, tais como: o racismo, a xenofobia, o sexismo, o mito da monocultura e tantas outras colonialidades que violam direitos humanos fundamentais. A linguagem, assim, é ao mesmo tempo o instrumento que constrói e reforça essas violências e a ferramenta que pode combatê-las, a partir de perspectivas que respeitem e (re)afirmem as existências, como é o caso da decolonialidade/anticolonialidade, o que possibilita que saberes outros, assim como vozes e corpos antes estigmatizados e subalternizados, tenham seu lócus de enunciação e epistêmico legitimamente reconhecidos socialmente. Assim, o presente simpósio tem por objetivo reunir pesquisas, de natureza teórica e/ou aplicada, e de diferentes vieses metodológicos, que se interessem pela discussão e relação entre (multi)letramentos, decolonialidade/anticolonialidade e como essas perspectivas teóricas e epistêmicas são utilizadas e desenvolvidas no contexto da educação linguística nos mais variados ambientes de construção de conhecimento, tais como: o ensino básico, o ensino superior, a formação de professores, assim como outros entornos formais e não formais de educação.

 

GRUPO TEMÁTICO 24

 

NÓS AO ESPELHO: DIÁLOGOS BAKHTINIANOS SOBRE

 A (IN)TOLERÂNCIA BRASILEIRA EM (DIS)CURSO

 

Marcos Alexandre Fernandes Rodrigues

e-mail: rodmaf2@gmail.com

Mestre em Letras (FURG e PUC-Minas / CAPES)

 

Cristiano Sandim Paschoal

e-mail: cristiano.paschoal@edu.pucrs.br

Mestre em Letras (PUC-RS / CNPq)

 

Maria da Glória Corrêa di Fanti

e-mail: gloria.difanti@pucrs.br

Doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC-RS / CNPq)

 

RESUMO: A Teoria Dialógica do Discurso, proposta pelo convencionalmente denominado Círculo de Bakhtin, possui como aspecto medular a concepção (socio)dialógica de sujeito e de linguagem que, postos em ação no mundo concreto, organizam a dialética da vida em (dis)curso. Nesse sentido, investigar materialidades discursivas sob a ótica dialógica exige do analista a consideração apriorística de que “a situação social mais próxima e o ambiente social mais amplo determinam completamente [...] a estrutura do enunciado” (Volóchinov, 2017, p. 206). Ademais, como salienta Medviédev (2018, p.154), cada época de uma determinada sociedade é marcada por uma espécie de tato discursivo, que “é determinado pelo conjunto de todas as relações mútuas e sociais dos falantes”. Considerando os aspectos mencionados, em Democracia, mídias sociais e liberdade de expressão: ódio, mentiras e a busca da verdade possível, o constitucionalista Luís Roberto Barroso, Ministro do Supremo Tribunal Federal, em colaboração com a jurista Luna van Brussel Barroso ponderam que os regimes democráticos contemporâneos não se restringem ao processo eleitoral, pois requerem também respeito aos direitos fundamentais, como a liberdade de expressão. Em sua discursivização, porém, estes são ameaçados pela ascensão do populismo autoritário, que visa à orquestração de uma sociedade segregada, pulverizada por discursos intolerantes. Como resultado, observa-se no Brasil em (dis)curso um retrocesso de políticas criminais, educacionais, trabalhistas, culturais, ambientais e econômicas, todas arquitetadas por axiologias intolerantes de determinado centro de valor político, desafiado por contrapalavras de tolerância e resistência. Na inter(ação) entre Eu e Outro em uma democracia plural, materializam-se relações discursivo-concretas que pressupõem tanto concordâncias quanto discordâncias. Entretanto, na autocracia requerida pelo centro de valor segregador, o Eu – visto como “cidadão de bem” – coisifica o Outro, extorquindo sua humanidade e possibilidade de devir. Nesse contexto, o GT Nós ao espelho: diálogos bakhtinianos sobre a (in)tolerância brasileira em (dis)curso, inscrito no eixo temático Análises do Discurso, linguagens e historicidade, objetiva reunir pesquisas que analisem, sob a ótica dialógica e em convergência com outras searas teóricas, práticas de linguagem contextualizadas em diferentes campos de atividade humana, nos quais se faz proeminente a (in)tolerância. Reclamamos investigações dialógico-discursivas cujo potencial heurístico se contrapõe ao autoritarismo, promovendo o respeito à diversidade, à inclusão e à justiça social. Por fim, “visto que dos meus olhos olham olhos alheios” (Bakhtin, 2019, p. 51), perguntemo-nos: se nós, brasileiros, formos ao espelho, o que veremos?

 

GRUPO TEMÁTICO 25

 

POLÍTICAS PÚBLICAS E SABERES LINGUÍSTICOS:

AS PRÁTICAS LINGUÍSTICAS E PEDAGÓGICAS NO CONTEXTO DE ENSINO

 

Ariele Mazotti Crubelatti

e-mail: arielecrubelati@unemat.br  

Doutora em Sociologia - UFSCAR com período de Sanduíche na University of Malta.

UNEMAT / Câmpus de Juara

 

Weverton Ortiz Fernandes

E-mail: weverton.fernandes@unemat.br

Doutorado em Linguística (UNEMAT), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Mato Grosso (FAPEMAT / CAPES). UNEMAT / Câmpus de Juara

 

RESUMO: As concepções de língua, estado e políticas públicas em uma sociedade colonizada, como a nossa, na qual buscou-se anular as diferenças, sobretudo, a da língua e a do sujeito, tem servido de debate nas últimas décadas pelos estudiosos da língua e da sociedade, colocadas em causa, principalmente, após o desenvolvimento dos estudos pós-estruturalistas. Em relação às práticas linguísticas e pedagógicas no contexto de ensino, este grupo busca reunir trabalhos ligados às políticas públicas em educação, bem como aos procedimentos de ensino, relacionados a diversos arquivos, tais como: orientativos curriculares, diretrizes e bases, Base Nacional Comum Curricular (BNCC), manuais didáticos, capítulos de livros, plataformas de ensino, metodologias de ensino da língua; textualizadas em diferentes objetos de estudo, ou seja, produções textuais, como os da poesia, da literatura, dos relatos, de documentos bibliográficos, entre outros, materiais para fins de produção textual acadêmica e científica. O interesse do grupo temático, portanto, está em refletir, pelas políticas públicas de educação, suas consequências para o ensino, sustentadas por concepções teóricas contemporâneas, como as pós-estruturalistas (enunciativas, discursivas, variacionistas, entre outras), as quais problematizam o ensino articulado às políticas públicas (Silva, 2017; Pfiffer, 2011; Geraldi, 2015). Em virtude deste grupo propor um debate temático que articule o ensino (práticas linguísticas e pedagógicas) às políticas em educação, as considerações de Pfiffer (2011, p, 149) no artigo intitulado Políticas Públicas: Educação e Linguagem, reforça a ideia de um ensino não limitado à linguagem técnica, mas histórica no sujeito no contexto escolar: “[...] as políticas de ensino – enquanto políticas públicas – configuram possibilidades de inscrição do sujeito na história”. Além disso, a autora (2011, p. 151) acrescenta que “Estas políticas podem ser alteradas ou não de acordo com as gestões de cada governo, mas, sobretudo, podem ser interpretadas e projetadas ou ainda criticadas de modos diferentes de acordo com as teorias que as analisam”. São algumas das possibilidades de compreender no contexto da educação um trabalho metodológico que articule o social e o linguístico ao “Estado no espaço das políticas de ensino”. (Pfiffer, 2011, p. 150). Em suma, este grupo temático abre espaço para socialização dos estudos desenvolvidos, ou em desenvolvimento, que contemple no ensino da língua e das práticas pedagógicas as políticas públicas em educação.

 

GRUPO TEMÁTICO 26

 

PRÁTICAS DE ENSINO E PESQUISA PARA ALÉM DA SALA DE AULA:

ENFOQUE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUAS E LITERATURAS

 

Paula Tatiana da Silva-Antunes

e-mail: paula.antunes@ufac.br

Doutora - Universidade Federal do Acre

 

Claudia Vanessa Bergamini

e-mail: claudia.bergamini@ufac.br

Doutora - Universidade Estadual Paulista

 

RESUMO: No contexto de formação de professores de línguas e literaturas, metodologias que ultrapassam as barreiras do tradicional apresentam-se como ações essenciais aos currículos dos cursos de licenciatura em Letras, pois podem promover um espaço mais dialógico e interativo, estabelecendo a construção de conhecimentos voltados para práticas sociais. Esse posicionamento relaciona-se ao projeto de pesquisa desenvolvido por uma das proponentes deste GT, na Universidade Federal do Acre, por meio do Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade, intitulado “Gêneros discursivos que permeiam a formação docente no âmbito de línguas/linguagens: um enfoque no contexto amazônico”. O referido projeto tem por objetivo investigar os aspectos linguístico-discursivos de gêneros do discurso que permeiam a formação de professores de línguas/linguagens, focalizando, principalmente, documentos oficiais do âmbito educacional e textos da esfera midiática, de modo a se pensar no desenvolvimento integral desses docentes. Para isso, segue uma abordagem metodológica de cunho qualitativo-interpretativista (PAIVA, 2019; BORTONI-RICARDO, 2008), apropriando-se dos estudos da Linguística Aplicada (PEREIRA; ROCHA, 2015; SIGNORINI; CAVALCANTI, 1998), para pensar a questão da formação docente, e da Semântica Argumentativa (DUCROT, 1984; 1987; 1988; 1989; 2005), no que se refere à análise linguístico-discursiva dos gêneros midiáticos. Seguindo essa perspectiva teórico-metodológica e ampliando a discussão para a importância da formação literária no contexto educacional em pauta, enfatiza-se, neste Grupo Temático, vinculado ao Eixo “Formação do docente de línguas e literaturas”, a importância de se desenvolver, em sala de aula, propostas de atividades que, realmente, envolvam os alunos e lhes possibilitem ir além dos muros escolares. Desse modo, este GT pretende reunir docentes (da educação básica e superior) e professores em formação (preferencialmente dos cursos de Letras e Pedagogia) que desenvolvam pesquisas e/ou práticas de ensino no âmbito de línguas e literaturas que contemplem metodologias voltadas para a efetiva prática de gêneros discursivos diversos, como, por exemplo, oficinas de produção de livros infantis, elaboração de documentários, sarau de poemas, produção de notícias/reportagens, e as mais diversas práticas de linguagem que se expandem para além do contexto acadêmico.

 

GRUPO TEMÁTICO 27

 

PRÁTICAS E EXPERIMENTAÇÕES NA PESQUISA (COM)

NARRATIVA EM ESTUDOS LINGUÍSTICOS

 

Ana Carolina de Laurentiis Brandão

e-mail: anabrandao@unemat.br

Doutora em Linguística Aplicada; UNEMAT

 

Flávio Penteado de Souza

e-mail: flavio.penteado@unemat.br

Mestre em Letras; UNEMAT

 

RESUMO: Neste grupo de trabalho, entendemos a pesquisa (com) narrativa como qualquer abordagem metodológica que se vale do uso de histórias de vida/narrativas de experiência (Cf. Brandão; Oliveira; Santos, 2023). Nessa perspectiva, pesquisadores podem se valer de narrativas orais (por exemplo, em entrevistas gravadas), escritas (por exemplo, em diários escritos), visuais (por exemplo, em desenhos) e sinalizadas (por exemplo, em relatos em línguas de sinais). Podem se valer ainda de narrativas multimodais ao utilizar instrumentos que combinam diferentes modos semióticos, como textos escritos, imagens e sons. Pesquisas (com) narrativas assumem diferentes formatos: algumas têm como foco o sentido, outras a forma; algumas usam a narrativa apenas como dado, outras como dado e perspectiva de análise (Cf. Barkhuizen; Benson; Chik, 2014). Os estudos da linguagem vêm passando por uma virada narrativa (Cf. Pavlenko, 2007), marcada pelo crescente interesse em histórias de vida para se explorar determinado fenômeno. Compõem essa virada estudos que investigam o discurso construído em narrativas e o seu papel em processos de constituição identitária (Cf. Bastos; Biar, 2015). Também compõem essa virada estudos que se utilizam de narrativas de professores e aprendizes para compreender experiências de ensino-aprendizagem de línguas (Cf. Gomes Junior, 2020). Enquanto professores e pesquisadores interessados em práticas de ensino e aprendizagem de línguas, concebemos a pesquisa (com) narrativa como forma de conhecer/entender as realidades de professores e aprendizes, bem como de problematizá-las. Este grupo de trabalho tem como objetivo criar um espaço de discussão de pesquisas de cunho narrativo, em quaisquer formatos, desenvolvidas no âmbito dos estudos linguísticos. Insere-se no eixo temático 9 “Práticas identitárias, estudos culturais, educação e linguagem”. Acolhe, portanto, trabalhos que investigam, por meio de narrativas de experiência, práticas identitárias, processos de ensino e aprendizagem de línguas, processos de formação do docente de línguas, processos discursivos e práticas culturais. Também acolhe trabalhos que exploram as potencialidades e os desafios da pesquisa (com) narrativa no âmbito dos estudos linguísticos. Esperamos que o grupo se constitua como oportunidade para se explorar a multiplicidade de práticas e experimentações que permeia a pesquisa (com) narrativa.

 

GRUPO TEMÁTICO 28

 

VIOLÊNCIA, HORROR E ESCRITA LATINO-AMERICANA

DE AUTORIA FEMININA NO SÉCULO XXI

 

Fabianna Simão Bellizzi Carneiro

e-mail: fabianna_bellizzi_carneiro@ufcat.edu.br

Pós-Doutora em Estudos Literários; Docente da Universidade Federal de Catalão

 

Carolina Montebelo Barcelos

e-mail: carolinambarcelos@hotmail.com

Pós-Doutoranda em Literatura; UERJ

 

RESUMO: Em Literatura, violência e melancolia (2017), Jaime Ginzburg enfatiza que a literatura pode fazer algo contra a violência ao promover relatos, debates e exemplos a favor de orientações éticas individuais e coletivas. Coadunamo-nos com a proposta de Ginzburg e vamos além ao propormos que a literatura latino-americana, de autoria feminina, que aborda temas como violência contra mulheres e minorias, impulsiona uma arena de discussões, o que já se configura como importante passo rumo ao questionamento do status quo latino-americano. Nosso continente carrega o peso do patriarcalismo, sem contar que nossa história sociocultural é marcada pela pena masculina. Nesse sentido, como assevera Rita Laura Segato (2006), “Em um meio dominado pela instituição patriarcal, se atribui menos valor à vida das mulheres”. Destarte, precisamos ressaltar a produção latino-americana de autoria feminina de forma a trazermos à lume narrativas que mimetizam vidas de mulheres marginalizadas, caladas, excluídas, violentadas e mortas; bem como devemos

sublinhar a produção de escritoras ansiosas por desestabilizarem o cânone, como as brasileiras Conceição Evaristo e Patrícia Melo, as argentinas Mariana Enriquez, Selva Almada e Gabriela Cabezón Cámara, a equatoriana María Fernanda Ampuero e a colombiana Laura Restrepo. Conforme observa a escritora argentina Samanta Schweblin (2022), a América Latina vê surgirem escritoras que “usam as palavras para jogar luz sobre conflitos sociais, às vezes nomeando o que não tinha sido dito, às vezes escrevendo as bandeiras das próprias manifestações. Isso é bem marcante em uma geração”. Este GT, portanto, objetiva reunir pesquisas que versem sobre escritas latino-americanas contemporâneas – deste século XXI ou da virada para este século – que contemplem a representação da opressão, da violência e do horror vividos por mulheres em nossa sociedade patriarcal. Entendemos, em um sentido expandido de texto, escritas além de romances, contos, poesias e dramaturgia, como música, performances e artes visuais. Acolhemos propostas que também articulem suas análises com outros campos do saber, como a antropologia, a sociologia, a filosofia, a história e a psicanálise, por meio de estudos realizados por Heleieth Saffioti, Lélia Gonzalez, Rita Laura Segato, Gerda Lerner, Diana Russell, Silvia Federici, entre outras possibilidades.

 

GRUPO TEMÁTICO 29

 

VOZES PERSISTENTES, ESCRITAS RESISTENTES:

DA TEORIA À CRÍTICA PÓS-COLONIAL

 

Clara Mayara de Almeida Vasconcelos

e-mail: clara.mavasconcelos@upe.br

Doutorado em Literatura e Interculturalidade (UEPB); UPE – Campus Garanhuns

 

Ferdinando de Oliveira Figueirêdo 

e-mail: ferdinando.oliveira@upe.br

Doutorado em Literatura e Interculturalidade (UEPB) ; UPE – Campus Petrolina

 

RESUMO: O presente grupo de trabalhos pretende reunir olhares que dialoguem com diferentes perspectivas provenientes de teorias pós-coloniais aplicadas ao ensino e à pesquisa de textos literários mediante as diferentes abordagens possíveis por essa linha de estudo; desde o próprio ângulo pós-colonial até suas subcategorias e conceitos de análise, como alteridade, colonialidade, decolonialismo, neocolonialismo, além de exames relacionados a gênero, raça, classe etc. Para tanto, aspectos sobre culturas, identidades e memórias se interrelacionam na ideia de proporcionar a multiplicidade de condições e sujeitos representados no texto literário. Convidamos, assim, a refletir acerca da importância dessa perspectiva de investigação, na medida que se percebe o Outro como principal ser constituído de respostas às interferências de poderes hegemônicos instaurados pelo processo colonial. Nesse viés, a literatura não é indiferente a seu tempo e sinaliza, sobretudo, o modo como escritores tentam expressar as experiências dos acontecimentos permeados pela colonização. Ainda, o GT visa congregar um conjunto de discussões em torno de produções literárias brasileira e estrangeira, cujo debate esteja centrado na compreensão das obras como produtos culturais que refletem a temática pós-colonial, bem como propostas de ensino que permitam a observação dessas literaturas. Portanto, as proposições almejadas para este grupo objetivam contemplar a valorização das diferenças e dos anseios dos povos representados nessas composições, com a possível integração de espaços e lócus distintos.

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