Informações - Grupos Temáticos - GTs
GRUPO
TEMÁTICO 1
ABORDAGEM
CRÍTICA NAS PRÁTICAS DE LINGUAGEM:
GÊNERO,
DECOLONIALIDADE E DIVERSIDADE
Dánie
Marcelo de Jesus
e-mail: daniepuc@gmail.com
Doutor em
Linguística Aplicada e Estudos de Linguagem. Universidade Federal de Mato Grosso,
Instituto de Linguagens.
Élidi Preciliana
Pavanelli-Zubler
e-mail: elidipavanelli@gmail.com
Mestre em
Estudos de Linguagem - PPGEL-UFMT; SEDUC-MT
Raiane
Ferreira Sombra Pires de Campos
e-mail: raiane.pcampos@gmail.com
Mestre em Estudos de
Linguagem-PPGEL-UFMT; SEDUC-MT
RESUMO: Com um olhar para a
abordagem crítica na sala de aula em uma perspectiva decolonial, este GT
pretende acolher trabalhos que versem sobre estudos de gêneros, diversidade e
suas intersecções. Seus proponentes desenvolvem pesquisas sobre os estudos
feministas, práticas inclusivas em sala de aula, letramento crítico e
diversidades. Compreende-se que
trabalhos com essa vertente podem oferecer estratégias eficazes para a desconstrução de
estereótipos e promoção da igualdade de gênero e de raça. As pesquisas nessa
perspectiva podem estar ancoradas em Beauvoir (1967), Butler (2003), Duboc
(2012), Fairclough (2008), Foucault (2010, 2011), hooks (2017), Louro (2014,
2016), Moita Lopes (2002, 2003), entre outros. Assim, o objetivo desse GT é
incentivar a troca de experiências sobre práticas que busquem a igualdade de
gênero e de raça, a decolonialidade, a inclusão e a conscientização crítica
entre os estudantes, criando um ambiente de aprendizado que questione
estereótipos e promova a compreensão e o respeito pelas diversas vivências
existentes em nossa sociedade. Conclui-se que abordar questões de gênero,
diversidade e inclusão nas salas de aulas e em diferentes espaços sociais é um
desafio importante e necessário para promover o respeito e a igualdade. Ao
oferecer um espaço para reflexão crítica, os educadores têm o potencial de
desconstruir estereótipos arraigados e contribuir para a construção de uma
sociedade mais justa e igualitária.
GRUPO
TEMÁTICO 2
A
SOCIEDADE A PARTIR DA LÍNGUA:
AS
TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS SOB O OLHAR DA LINGUÍSTICA
Miguel
Rodrigues Netto
e-mail: miguel.rodrigues@unemat.br
Doutor em
Ciências Sociais – PUC/SP. Professor da Faculdade de Ciências Humanas e
Linguagem – FACHLIN/UNEMAT/Sinop
Giseli
Veronêz da Silva
e-mail: giseli.veronez@unemat.br
Doutora
em Linguística – UNEMAT. Professora da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas
e Linguagem – FACSAL/UNEMAT/Tangará da Serra.
Rodrigo
de Santana Silva
e-mail: rodrigo.santana@seduc.mt.gov.br
Doutor em
Linguística – UNEMAT. Coordenador de Formação Diretoria Regional de Ensino –
DRE/SEDUC – Tangará da Serra
RESUMO: O objetivo deste GT é
explorar como a linguagem influencia e reflete as transformações sociais na
sociedade contemporânea. Nossa abordagem será interdisciplinar, relacionando as
áreas da Análise do Discurso, Semântica Enunciativa e Linguística Aplicada para
discutir as dinâmicas complexas entre língua e sociedade. Ao propor a temática
"A sociedade a partir da língua: as transformações sociais sob o olhar da
linguística", iremos discutir as teorias fundamentais que fundamentam a
relação entre linguagem e sociedade, destacando a importância da linguística na
compreensão das dinâmicas sociais. Objetivamos também, levantar discussões de
como a linguagem é utilizada na construção e expressão de identidades sociais,
incluindo identidade de gênero, etnia, classe social e pertencimento cultural.
Analisaremos como as mudanças na linguagem ao longo do tempo refletem e
influenciam mudanças sociais mais amplas, incluindo questões de poder,
política, participação social e tecnologia. Nesta direção, o GT abordará como a
linguagem é usada na mídia, incluindo redes sociais, jornalismo e
entretenimento, e como isso influencia a percepção e representação da
sociedade. Os participantes (pesquisadores/ouvintes) serão incentivados a
trazer exemplos de sua própria experiência e pesquisa para enriquecer a
discussão. O grupo de apresentação é destinado a estudantes e profissionais
interessados em linguística, sociologia, antropologia, ciência política,
comunicação e áreas afins. Os trabalhos selecionados para este GT terão como
objetivo explorar a sociedade a partir da lente da linguística, oferecer
insights fascinantes sobre as dinâmicas sociais e culturais que moldam nossas
interações diárias de forma colaborativa e estimulante. Também buscaremos
preferencialmente propostas que evidenciem a interdisciplinaridade entre os
estudos linguísticos e as ciências humanas e sociais demonstrando que tais
saberes não são concorrentes e sim complementares para que possamos entender a
totalidade de nossos objetos de pesquisa.
GRUPO TEMÁTICO 3
ANÁLISE TEXTUAL DOS
DISCURSOS
Vanessa Fabíola Silva de Faria
e-mail: vanessafabiola@unemat.br
Doutora. Universidade do Estado de Mato Grosso
Lidemberg Rocha de Oliveira
e-mail: bergrocha@ifesp.edu.br
Doutor. Instituto de Educação Superior Presidente Kennedy –
IFESP
RESUMO:
Jean
Michel Adam (2011), em sua obra "A linguística textual: introdução à
análise textual dos discursos", posicionou a Linguística Textual (LT) como
um subcampo da Análise do Discurso, oferecendo uma solução teórica para
pesquisadores que tentavam se manter em um terreno instável nas fronteiras
entre o textual e o discursivo. Embora ambos os campos do conhecimento definam
seus domínios principais, muitas pesquisas parecem optar por uma maior abertura
e expansão de contato com as diferentes materialidades, tanto textual quanto
discursiva. Este grupo temático (GT) propõe receber estudos no campo da Análise
Textual dos Discursos (ATD), reunindo pesquisadores, cujos trabalhos explorem
tanto os aspectos teóricos quanto as diversas aplicações metodológicas da ATD
em seus estudos, tendo em vista que este campo propicia a ancoragem teórica e
fornece ferramentas metodológicas para análise de diversos gêneros discursivos,
considerando elementos de natureza verbal, imagética, cognitiva, social e
interacional, e permite compreender não apenas a estrutura dos textos, mas
também os processos de produção de sentido e a influência dos co(n)textos
comunicativos. Desta forma, este GT acolherá trabalhos de natureza diversa,
sobretudo, os que discutem os fundamentos teóricos da ATD; os que apliquem tais
fundamentos na análise de diversos tipos de discursos (midiáticos, políticos,
literários, jurídicos, acadêmicos, etc.);
que proponham inovações e/ou adaptações na abordagem
teórico-metodológica da ATD; que analisem casos específicos de estudo,
demonstrando a aplicabilidade e resultados ou ainda que investiguem a interação
entre a ATD e outras teorias linguísticas e discursivas. Assim, são esperados
trabalhos cujo foco incida sobre a relação entre o plano de texto e as sequências
textuais; sobre a representação discursiva (Rd) dos mais variados objetos de
discurso em diversos gêneros discursivos; sobre os mecanismos linguísticos para
a gestão das vozes nos textos, mecanismos de construção dos pontos de vista
(pdv) e suas relações com as posturas enunciativas; sobre as relações entre
representação discursiva (Rd), responsabilidade enunciativa (RE) e as
estratégias linguístico-textuais da orientação argumentativa (OrArg)
pesquisadas em textos de gêneros discursivos variados.
Palavras-chave:
Análise Textual dos Discursos; Análise de Discurso; Linguística Textual.
GRUPO TEMÁTICO 4
DIÁLOGOS
LEXICAIS: MÚLTIPLAS FACETAS DOS ESTUDOS DO LÉXICO
Vanessa Regina Duarte Xavier
e-mail:
vrdxavier@gmail.com
Doutora em Filologia e Língua Portuguesa, Universidade Federal de
Catalão (UFCAT).
Ana Vitória Gomes Moreira
e-mail:
anavitoria123r@gmail.com
Mestra em Estudos da Linguagem, Universidade Federal de Catalão (UFCAT).
RESUMO: O
léxico, como repositório do saber linguístico de uma comunidade (Biderman,
2001), engendra as nomeações que atribuímos aos conhecimentos linguísticos e
extralinguísticos. Oliveira e Isquerdo (2001, p. 9) pontuam que ele “[...]
configura-se como a primeira via de acesso a um texto, representa a janela
através da qual uma comunidade pode ver o mundo, uma vez que esse nível da
língua é o que mais deixa transparecer os valores, as crenças, os hábitos e
costumes de uma comunidade [...]”. Nota-se, assim, que o léxico se conecta
intimamente com o universo extralinguístico e, por meio dele, podemos ter
acesso às memórias, culturas, identidades e aos aspectos sociais de modo geral,
por isso a analogia à janela como observatório da realidade sociocultural.
Dentro dos estudos lexicais, encontramos inúmeras possibilidades de
investigação com foco nas Ciências do Léxico e, também, investigações
interdisciplinares, nas quais o léxico estabelece ponte com outras teorias,
metodologias e/ou áreas do saber, como análises lexicais em diálogo com teorias
discursivas, literárias, estilísticas, filológicas, dentre diversas outras.
Pensando nisso, esse Grupo Temático (GT) objetiva receber propostas de
comunicação acerca de investigações teórico e/ou empíricas, em curso ou
finalizadas, que tenham os estudos lexicais como foco, tanto na perspectiva do
léxico geral quanto especializado. Serão aceitos para apresentação trabalhos
que se situem em uma vertente teórico-metodológica das Ciências do Léxico, a
saber: Lexicologia, Lexicografia e Terminologia; e aqueles que tratem
interdisciplinarmente de questões lexicais, dialogando com áreas e/ou teorias
afins. Os objetos de estudo das propostas a serem submetidas para avaliação
podem ser variados, tais como: documentos pretéritos em suas distintas edições;
corpora discursivos; verbetes ou obras lexicográficas; dentre tantas
outras possibilidades.
GRUPO TEMÁTICO 5
DINÂMICAS
SOCIOLINGUÍSTICAS NA FRONTEIRA BRASIL-BOLÍVIA
Jocineide
Macedo Karim
e-mail:
jocineide.karim1@unemat.br
Doutora
– UNEMAT
Fernando
Jesus da Silva
e-mail:
fernando.silva1@ufmt.br
Doutor
– UFMT
Elisandra
Benedita Szubris
e-mail:
Elisandra.benedita@unemat.br
Doutora
- UNEMAT
RESUMO: O Grupo de Trabalho
(GT) "Dinâmicas Sociolinguísticas na fronteira Brasil-Bolívia” visa reunir
pesquisadores interessados nas interações entre linguagem e sociedade em
espaços fronteiriços, criando um ambiente interdisciplinar para o diálogo
acadêmico-científico. Os proponentes deste GT são membros do Projeto
“Linguística na Fronteira Brasil-Bolívia (LINFRON-UNEMAT)” que tem como
objetivo consolidar o Programa de Pós-Graduação em Linguística - PPGL/UNEMAT -
através de ações que fortaleçam a produção e divulgação de conhecimentos
resultantes de pesquisas realizadas na e sobre a linguagem na fronteira oeste
do Brasil. Dessa maneira, desenvolvem pesquisas na Sociolinguística sobre temas
que exploram como fatores sociais - como classe, gênero, etnia, idade, localização
geográfica, entre outros - influenciam na paisagem linguística, no contato e na
variação linguística do português, do espanhol e outras línguas utilizadas na
fronteira Brasil-Bolívia. Portanto, o objetivo deste GT é reunir estudos que
reflitam sobre dinâmicas sociolinguísticas em espaços fronteiriços,
especialmente na fronteira Brasil-Bolívia fundamentados por autores como: Bagno
(2015), Calvet (2002), Chambers (1995), Coseriu (1979), Faraco (2008), Labov
(2008 [1972]), Macedo Karim (2012), Mollica (2003), Silva (2022), Tarallo
(1985), Weinreich (1968), dentre outros autores que se fizerem necessários.
Espera-se que, com este grupo de trabalho, seja possível um diálogo entre os
participantes sobre as relações entre língua e sociedade, com vistas a uma
maior compreensão de fatos linguísticos, no que diz respeito à abordagem de
diferentes práticas sociais em espaços fronteiriços.
GRUPO TEMÁTICO 6
LITERATURA E OUTRAS ARTES: DIÁLOGOS (IM)POSSÍVEIS
Genivaldo Rodrigues
e-mail: genivaldosobrinho@unemat.br
Sobrinho Henrique Roriz Aarestrup Alves
henriqueroriz@unemat.br
RESUMO: Este simpósio se configura em espaço para o recebimento e discussão, acerca de produções da literatura e suas possíveis relações com outras artes. Parte-se de conceitos de diálogos entre manifestações artísticas abordados por estudiosos como Candido (1996), Hall (2007) e Walty (2023), entre outros. Neste simpósio, serão acolhidos diálogos sobre produções literárias e suas relações com outras semioses, artes e mídias. Consideram-se diálogos interartes a partir de conceituações de Antonio Cândido (1996), sobre “a natureza da metáfora”, Stuart Hall (2007) sobre as “diásporas dos signos” e as de Ivete Walty (2023) sobre “territorialidades literárias”, além de teorias específicas sobre as modalidades artísticas com as quais se propõem diálogos. Sobre essa relação entre Literatura e outras modalidades artísticas, Walty afirma que “na verdade, trata-se de dois textos autônomos que se interpenetram, enriquecendo o jogo de significações da leitura. Como se vê, tanto o escritor como o leitor podem se apropriar de imagens para ler o mundo. Palavra ou traço, verbo ou cor, o signo codifica o mundo em suas linguagens. Importa articulá-las” (Walty, 2001, p. 68). Nesse processo, segundo a teórica, o mais importante seria a interação entre os diferentes textos de modo a propiciar a produção de significados, resultando em desvelamentos, questionamentos e criações de novas realidades. No caso da relação entre o texto literário e o imagético, o texto literário pode se converter em imagens, assim como o texto imagético pode criar palavras, cruzando suas fronteiras estéticas ao terem o signo como base comum em suas condições de linguagens. No contexto específico deste simpósio, tomar-se-ão exemplos de recursos estéticos e figuras de linguagem, tais como metáforas, metonímias, comparação, além de outros, ressaltando que as metáforas híbridas são consideradas aquelas que elaboram o patrimônio das linguagens e das culturas locais. Este empenho possibilitará discussões teóricas e críticas sobre a relação intrínseca entre literatura e outras semioses, amparada também em discussões contemporâneas de Ana Kiffer, Florencia Garramuño e Wander Melo Miranda (2014), que entendem os elos entre literatura e outras formas a partir do conceito de “campo expandido” ou de “literatura expandida”, em que as produções “são e não literatura”, pois, “apesar de se apresentarem como literatura, não podem mais ser lidas [apenas] por meio de categorias literárias” (Miranda, 2014, p. 136). Nesse cenário, as relações entre literatura e outras artes emergem no contexto do Modernismo de 1922, pois rompe com os padrões da arte tradicional, ganhando grande notoriedade no Concretismo, movimento pelo qual os irmãos Campos, especialmente Augusto de Campos, propõem uma poesia que se vale de recursos de artes visuais, publicidade, música e expressões digitais, investigando e apresentando instrumentos variados das mídias eletrônicas e das tecnologias. O próprio Augusto escreve, em 2003 e publica em 2015, o texto “Do concreto ao digital”, no qual reforça que, mesmo sem os recursos tecnológicos necessários (que só viriam a se tornar disponíveis no fim do século XX), os concretistas já antecipavam uma estética que, latente e potencialmente, clamavam por semioses além da palavra e por suportes além do papel. Desse modo, o conceito de literatura “verbivocovisual” se funde ao digital por meio dos novos textos que emergem no contexto das redes sociais, dos blogs, das plataformas de streaming, dos jogos digitais, em interseções que, se por um lado dificultam as conceituações e categorias, por outro potencializam a leitura da realidade a partir das linguagens e formas que essa mesma realidade nos impõe.
GRUPO
TEMÁTICO 7
ENTRE
SILÊNCIOS E BRADOS DE EXPRESSÃO:
VOZES
DA RESISTÊNCIA NA LITERATURA
Rubenil
da Silva Oliveira
e-mail: rubenil.oliveira@ufma.br
Doutor em
Letras; Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
Renata
Cristina da Cunha
e-mail: renatacristina@phb.uespi.br
Doutora
em Educação; Universidade Estadual do Piauí – UESPI.
Ruan
Nunes Silva
e-mail: ruan@phb.uespi.br
Doutor em
Letras; Universidade Estadual do Piauí – UESPI.
RESUMO: O presente Grupo de
Trabalho pretende reunir pesquisas em desenvolvimento e/ou já concluídas que
tratem dos silenciamentos impostos às literaturas as quais abordam os dilemas
vividos pelos grupos de minorias sociais – indígenas, sujeitos queers, crianças,
idosos, negros – e ainda aquelas produzidas por sujeitos pertencentes a esses
grupos. Por outro lado, percebeu-se que Spivak (2014), Bosi (2002), Dalcastagnè
(2012), nos seus estudos, ressignificam e dão espaço para que a voz dos
subalternizados pelos sistemas e processos culturais se levantem e passem a
contar suas histórias sem a ideia de que o cânone possa refutá-las, embora
ainda se perceba tentativas de silenciamento como o que aconteceu nos últimos
anos em Roraima com a imposição da SEDUC de uma lista proibida de livros, entre
os quais Memórias Póstumas de Brás Cubas; depois a recusa de uma escola
baiana à leitura de Olhos d’água, de Conceição Evaristo e, neste ano, a
recusa da SEDUC do Paraná à leitura de O Avesso da Pele, de Jeferson
Tenório. Dito isto, vê-se que mesmo na contemporaneidade, existem tentativas de
silenciamento das literaturas que demonstram as dores e alegrias de um povo sob
a alegação de que estas não são uma boa literatura. Isto nos faz indagar – o
que é literatura? Afinal, para que serve a literatura? Quem pode e deve
produzir uma obra literária? Enfim, essas indagações precisam de pesquisas que
as respondam e o nosso GT é um momento para começarmos a pensá-las e buscar
respondê-las.
GRUPO
TEMÁTICO 8
ESCREVER
PARA NÃO ESQUECER:
AS NOVAS
VOZES DA LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Ana
Claudia Servilha Martins Poleto
e-mail: ana.martins@unemat.br
Doutora em Estudos Literários pelo
Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL/UNEMAT/Tangará da Serra)
/ Docente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT/Sinop)
Adriana
Lins Precioso
e-mail: adrianaprecioso@unemat.br
Doutora em Teoria da Literatura pela
Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Docente da Universidade do Estado de
Mato Grosso (UNEMAT/Sinop)
Jesuino
Arvelino Pinto
e-mail: jesuino.pinto@unemat.br
Doutor em Estudos Literários pelo
Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PPGEL/UNEMAT/Tangará da Serra)
/ Docente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT/Sinop)
RESUMO: A proposta
deste Grupo Temático (GT) centra-se em diálogos sobre as novas vozes da
literatura brasileira contemporânea em uma perspectiva decolonial. Ou seja,
visa desenvolver análises e reflexões sobre ficções que tematizam, sistematizam
e elucidam historicamente processos de subalternização, apagamento e
silenciamento de identidades negras, indígenas, africanas e terceiro-mundistas.
Nessa pragmática, as produções literárias de autores/as como Ailton Krenak
(2019), Carolina Maria de Jesus (1960), Conceição Evaristo (2003), Daniel
Munduruku (2010), Eliana Alves Cruz (2022), Jeferson Tenório (2019), Luciene
Carvalho (2020), entre outras importantes intelectualidades do cenário
brasileiro contemporâneo, nos lançam para o desafio urgente de (re)pensarmos
nossas conjunturas sociais, culturais e identitárias. Nos provocam a conceber a
escrita literária enquanto uma via possível de acesso à memórias individuais e
coletivas. Em aporte as proposições de Dalcastagnè (2005), e considerando os
pressupostos de Cuti (2016), Figueiredo (2016), Santos (2016), e Souza (2016),
que estudam a Literatura Negro-Brasileira, e em nomes consagrados dos estudos
culturais, tais como: Fanon (2008), Geertz (2008), Ângela Davis(2018), bell
hooks (1994) e Lynn Hunt (2009), o presente GT visa oportunizar travessias
literárias que auxiliem na validação das vozes de lutas e saberes de grupos que
resistem às injustiças produzidas por espaços hegemônicos que não legitimam os
princípios da diversidade, da pluralidade e da dignidade humana. Intenta o
entendimento que se aproxime da totalidade da complexidade que é o colonialismo
imperialista/desumanizador e a colonialidade que escravizou/violou incontáveis
corpos, que promoveu o genocídio de milhares de culturas. Em suma, as novas
vozes da literatura brasileira contemporânea ensinam, sobretudo, que é
necessário escrever para não esquecer.
GRUPO
TEMÁTICO 9
ESCRITAS
DE MULHERES AFRICANAS E AFRODIASPÓRICAS
NO
CENÁRIO DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA
Marinei Almeida
e-mail: marinei.almeida@unemat.br
Doutora - UNEMAT/PPGEL UNEMAT e UFMT
Celiomar Portfírio Ramos
e-mail: celiomar.ramos@ufmt.br
Doutor – UFMT
Rodolfo Moraes Farias
e-mail: rodolfetz83@gmail.com
Doutor - UNEMAT
RESUMO: A necessidade
de ouvir/ler, refletir, discutir e analisar produções daquelas que tiveram as
vozes silenciadas por sistemas opressores se faz urgente, sobretudo em um país
que tem sua base fincada ainda em um sistema neocolonialista. Apesar de tímida,
nos
últimos anos é notório a conquista de espaço das mulheres no mercado editorial
e, por conseguinte, tem aumentado de forma significativa o interesse de estudiosas
e estudiosos em pesquisar tais produções. Em se tratando da produção literária de
mulheres africanas e afrodiaspóricas, a partir do século XX, vem ganhando
espaço num contexto em que a literatura foi e é produzida, principalmente, por
homens brancos (DALCASTAGNÈ, 2008). A visibilidade da escrita de mulheres
africanas e afrodiaspóricas é importante, entre outros fatores, por apresentar
uma nova perspectiva social (YOUNG, 2000) permitindo, assim, que elas se
autorrepresentem e representem suas semelhantes e, consequentemente, rasure os
estereótipos atribuídos a elas na literatura dita hegemônica. Tal autoria é,
sem dúvidas, uma grande conquista, visto que ao “assenhorar-se da pena” essas
mulheres que foram, por muito tempo, apenas objeto nos textos literários,
tornaram-se sujeito na/da produção literária contemporânea. Com isso,
apresentam textos/escrevivências que são, em sua maioria, marcados pela
subjetividade e pela memória. Contudo, muitas vezes, sem se centrar em si,
evidenciando uma memória coletiva. Segundo Mata (2008), tais literaturas são
metonímias da história dos países e podem ser consideradas textos memórias.
Dado o exposto, nosso objetivo é reunir trabalhos que discutam a produção
literária de autoras negras em diferentes gêneros literários, com os seguintes
objetivos: (1) debater a importância da autoria feminina no cenário da
literatura contemporânea; (2) refletir como se dá a representação de mulheres
africanas e afrodiaspóricas na literatura contemporânea; (3) abordar a
relevância de tais produções literárias no cenário africano, afro-brasileiro e
afrodiaspórico; (4) discutir em que medida essas produções contribuem para
desconstruir os estereótipos atribuídos a população racializada, em especial, à
mulher negra. Os objetivos apresentados deverão adotar uma perspectiva
interseccional que a inter-relação de gênero, raça, condição social e outros
marcadores sociais, uma vez que tais aspectos são relevantes para pensar o
lugar atribuído às mulheres africanas e afrodiaspóricas na sociedade
contemporânea.
GRUPO
TEMÁTICO 10
ESTUDOS DIALÓGICOS,
PRÁTICAS DE LINGUAGEM E ENSINO
Jane
Cristina Beltramini Berto
e-mail: jane.beltramini@ufrpe.br
Doutorado em Letras (Universidade Federal Rural de
Pernambuco-UFRPE/PPGL-UNICENTRO/CNPq/FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA)
Fabiane
Eisele Zilio
e-mail: fabianeeisele@gmail.com
Doutoranda em Letras (Universidade Estadual do
Centro-Oeste- UNICENTRO-PR)
Silvânia
Maria da Silva Amorim
e-mail: professorassilvanis@hotmail.com
Doutoranda em Letras (Universidade Estadual do
Centro-Oeste - UNICENTRO-PR)
RESUMO: O grupo de trabalho “Estudos Dialógicos, Práticas de Linguagem e Ensino”
vincula-se a Linguística Aplicada e congrega estudos fundamentados na teoria
dialógica desenvolvida
pelo Círculo de Bakhtin, Volóchinov e Medviédev em suas interfaces com outras
áreas compatíveis. Compreendendo a natureza sócio-histórica da linguagem,
visamos às contribuições de estudiosos e de
pesquisadores que se dedicam a problematizar as questões que envolvem o ensino
das práticas de linguagem: de oralidade, de leitura, de escrita/reescrita e de
análise linguística/semiótica, a compreensão do discurso nos enunciados, a
singularidade do projeto enunciativo e as relações sociais refratadas nos
textos em níveis e modalidades de ensino diversas. A proposta deste GT
agrupa os resultados de pesquisas de cunho teórico-metodológico,
teórico-analítico e encaminhamento prático em sala de aula, que contemplem
orientações advindas de documentos oficiais, os currículos,
os materiais didáticos, as práticas avaliativas, as experiências e as inovações
teórico-práticas na contemporaneidade, sob o
escopo dialógico. Desse modo, almeja-se que as discussões pertinentes ao tema,
em conjunto às reflexões oriundas do Grupo de Pesquisa Interação e Ensino
(PPGL- UNICENTRO/CNPq), ampliem debates visando ao
aprimoramento do ensino de línguas em âmbito escolar e à compreensão de
enunciados mobilizadores de discursos, valores e de tensões socioideológicas,
na formação inicial e continuada de professores.
GRUPO
TEMÁTICO 11
ESTUDOS
SOBRE LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS
Eduardo Alves
Vasconcelos
e-mail: eduardo.vasconcelos@unifap.br
Doutor. Programa
de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Amapá (PPGL/UNIFAP)
Glauber Romling da
Silva
e-mail: glauberomling@yahoo.com.br
Doutor. Programa
de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Amapá (PPGL/UNIFAP)
RESUMO: A diversidade
linguística brasileira é marcada por um número significativo de línguas
indígenas faladas em diferentes regiões do Brasil, em diversos contextos de
contato com outras línguas indígenas e com o português. Os estudos linguísticos
dessas línguas têm tido importantes desenvolvimentos nas últimas décadas, em
parte pela ampliação de centros de formação, em parte pelo surgimento de
estudos dessas línguas conduzidos por seus falantes. Vale destacar os
desenvolvimentos provenientes da proclamação, pela UNESCO, da Década
Internacional das Línguas Indígenas, que busca congregar ações de
fortalecimento e reconhecimentos dessas línguas, e a oferta de vagas para
indígenas em diversos programas de pós-graduação em Letras e Linguística em
diferentes instituições de ensino. Esses dois eventos, mais recentes no
histórico de estudos dessas línguas, apontam para uma maior diversidade de
análises e abordagens no cenário científico brasileiro. Nesse sentido, neste
grupo de trabalho, serão aceitos estudos sobre línguas indígenas, de diferentes
abordagens e perspectivas teóricas, bem como de diferentes áreas da
Linguística, por exemplo: análise e descrição linguísticas de línguas indígenas
brasileiras em seus diferentes aspectos – fonética, fonologia, morfologia e
sintaxe; análise e projetos de documentação linguística; estudos relacionados a
políticas linguísticas, variação linguística em línguas indígenas e outros
relacionados a aspectos sociolinguísticos dessas línguas; projetos e ações de
revitalização e/ou vitalização das línguas, bem como estudos de interfaces com
Antropologia, Educação e História e demais áreas afins.
GRUPO
TEMÁTICO 12
FORMAÇÃO
DO DOCENTE DE LÍNGUAS E LITERATURAS:
ENTRE
A TRADIÇÃO E A INOVAÇÃO NOS DOIS LADOS DO ATLÂNTICO
Natália Albino Pires
e-mail: npires@esec.pt
Doutora
em Filologia Hispânica; Escola Superior de Educação e inED Polo de Coimbra -
Instituto Politécnico de Coimbra / Cátedra em Património Imaterial e
Saber-Fazer Tradicional e CIDEHUS - Universidade de Évora / CREILHAC –
Universidade Assene Seck (Ziguinchor, Senegal)
Silvia Cinelli Quaranta
e-mail:
cinequaranta@gmail.com
Mestre em Educação;
Prefeitura da Estância Balneária de Praia Grande
GRUPO
TEMÁTICO 13
FORMAÇÃO
DOCENTE, ENSINO E
APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS ADICIONAIS NA INFÂNCIA
Olandina
Della Justina
e-mail: olandina.dellajustina@unemat.br
Doutora -
UNEMAT/Sinop
Juliana
Freitag Schweikart
e-mail: juliana.freitag@unemat.br
Doutora -
UNEMAT/Sinop
Juliana Reichert Assunção Tonelli
e-mail: jtonelli@uel.br
Doutora - UEL
RESUMO: Este grupo de trabalho
tem por finalidade compartilhar, divulgar e discutir pesquisas e relatos de
experiências que englobam a formação de professores (inicial e contínua) para
atuar com línguas adicionais (inglesa, espanhola, portuguesa, línguas de sinais,
entre outras), acerca do ensino e da aprendizagem de línguas adicionais para
crianças, políticas públicas, iniciativas formativas e didático-pedagógicas
voltadas para essas línguas na infância. Preocupa-se, sobretudo, com as
demandas do cenário contemporâneo como criatividade e alternativas de
abordagens de ensino conectadas com as demandas e uso de novas tecnologias para
o ensino e a aprendizagem de línguas adicionais, bi/pluri/multilingualismo e
experiências vivenciadas nos diversos ambientes escolares (escola regular, de
ensino bilíngue, educação bilíngue e de cursos livres). De forma ampla,
interessa-se pelos fenômenos linguísticos e educacionais presentes no meio
social e no ambiente escolar ligados à aprendizagem de línguas adicionais e ao
desenvolvimento linguístico e sociocultural infantil em diferentes contextos,
quer sejam públicos ou privados. Além disso, lança um olhar mais atento à
produção de conhecimento inerente ao contexto linguístico e cultural,
especialmente, da Amazônia Legal, mas que se constrói no diálogo com estudos
além desse espaço geolinguístico objetivando a conexão contínua, ora harmônica,
ora conflituosa, entre o macro e o microssistema em que se constituem todas as
linguagens.
GRUPO
TEMÁTICO 14
IDENTIDADES,
POLÍTICAS E
PRÁTICAS
PEDAGÓGICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE
Leandro José do
Nascimento
e-mail: leandro.nascimentomt@gmail.com
Doutor em Estudos de Linguagem. Faculdade de
Tecnologia de Sinop (FASTECH)
Luciano da Silva
Pereira
e-mail: luciano.profufmt@gmail.com
Doutorado em Educação. Universidade
Federal de Mato Grosso – Campus Araguaia
RESUMO: O eixo temático tem
como objetivo, discutir a formação e a prática docente, sobretudo, os da área
da linguagem, a partir dos eixos: políticas educacionais, práticas pedagógicas,
identidades e formação de professores. Dessa forma, buscamos realizar um grupo
de trabalho que tenha relevância acadêmica, que proporcione a formação de
professores, a produção e a democratização de conhecimento e que possibilite
uma estreita relação entre a Universidade, Secretarias Municipais e Estaduais
de Educação e a Comunidade a partir das políticas formativas. A educação
básica, segundo dados da Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso, está
estruturada numa proposta político-pedagógica/curricular que prevê a inclusão
de todos (as). Formalmente, a rede tem oferecido educação especial, educação do
campo, educação de jovens e adultos, educação quilombola e indígena. Em tese,
as práticas e políticas buscariam atender demandas, propondo sua organização de
ensino estrutural por meio dos ciclos de formação humana. Ao propor essa
organização, faz-se necessário o reconhecimento da diversidade cultural que se
apresenta na sociedade, propondo superar as formas de discriminação, segregação
e exclusão escolar, numa proposta inclusiva, envolvendo todos os profissionais
e a comunidade escolar. A partir desse formato, seria preciso contemplar as
discussões nos programas de formação continuada e nas práticas pedagógicas
contribuindo para o aprimoramento da prática docente e implementação de
políticas de formação continuada. Nesse sentido, esse grupo temático objetiva receber
trabalhos centrados em estudos e pesquisas (em andamento e concluídas), de
discentes da graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores do ensino
superior e educação básica que discutam, políticas e práticas
pedagógicas da/na formação docente. Durante as apresentações, buscaremos
estabelecer um espaço de reflexão e diálogo, mediada pelo debate crítico,
reflexivo e científico das temáticas apresentadas. Espera-se que o resultado dos
trabalhos apresentados amplie ainda mais o campo das investigações sobre as
políticas, identidade e práticas relacionadas formação docente, impulsionando a
criação de novos currículos e práticas que respeitem as diferentes identidades,
reconheçam a diversidade presente no espaço e provoquem outras formas de pensar
a educação. Considerando as legislações em vigor, exige-se um processo com
capilaridade para absorver um mosaico que incida na realidade de profissionais,
levando-os/as a problematizar as práticas pedagógicas, sendo essa uma articulação
cada vez mais abrangente, resultando em práxis emancipatórias no
acontecimento comunitário nas escolas.
GRUPO TEMÁTICO 15
INTERNACIONALIZAÇÃO
E ENSINO DE LÍNGUAS
Patricia Christina dos Reis
e-mail: reispatricia2003@yahoo.com
Doutorado. Universidade do Estado do Amazonas (CESP/UEA)
Vanúbia Araújo Laulate Moncayo
e-mail: vmoncayo@uea.edu.br
Doutorado. Universidade do Estado do Amazonas (Assessoria de
Relações Internacionais – ARI-UEA)
RESUMO:
A
partir do encontro da UNESCO realizado em Paris, em 1998, a cooperação e o
intercâmbio internacional passaram a estar entre as metas de instituições de
ensino superior de todo o mundo. Desde então as universidades brasileiras vêm
criando políticas educacionais para atender essa nova demanda e procuram
qualificar seus profissionais para tal fim.
Este GT pretende reunir trabalhos que contemplem os processos de
internacionalização das universidades brasileiras, suas ações, desafios, e
alcances nas últimas décadas. Nesses processos, muitos são os envolvidos: assessores, pessoal especializado e
professores que desenvolvem cursos de línguas, com o intuito de preparar seus
alunos para a mobilidade acadêmica, ou receber estudantes de outros países que
vêm estudar em nossas instituições. Nessa direção, as universidades brasileiras
têm oferecido cursos em diversas línguas estrangeiras, assim como cursos de
português para falantes de outras línguas. Pensando na atuação dos
profissionais dessa área, convidamos para esse GT, professores e estudantes que
queiram compartilhar suas experiências nesses cursos, seja ensinando ou
aprendendo uma nova língua. As proponentes desse GT realizam pesquisa sobre
ensino e aprendizagem de línguas, incluindo tal aprendizagem como vetor do
processo de internacionalização do Ensino Superior, com embasamento
teórico-metodológico advindo da Linguística Aplicada e dos estudos sobre
formação de professores. Assim, abrem espaço para discussões em torno de
práticas pedagógicas, formação de professores, políticas públicas, entre outras
questões que devem ser levadas em conta quando se pensa no ensino de línguas
para fins de internacionalização da Educação Superior.
GRUPO
TEMÁTICO 16
INTERSEÇÕES
ENTRE LITERATURA, OUTRAS ARTES E MÍDIAS
Sílvio Rodrigo de Moura Rocha
e-mail: silviorocha@ufv.br
Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas. Professor da
Universidade Federal de Viçosa – Campus Florestal.
Luciana Brandão Leal
e-mail: luciana.brandao@ufv.br
Doutora em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas. Professora
da Universidade Federal de Viçosa – Campus Florestal.
RESUMO: Neste simpósio, acolhemos diálogos sobre produções literárias e suas
relações com outras semioses, artes e mídias. Consideram-se diálogos interartes
a partir de conceituações de Antonio Cândido (1996), sobre “a natureza da
metáfora”, Stuart Hall (2007) sobre as “diásporas dos signos” e as de Ivete
Walty (2023) sobre “territorialidades literárias”, além de teorias específicas
sobre as modalidades artísticas com as quais se propõem diálogos. No contexto
específico deste simpósio, tomaremos exemplos de metáforas literárias e
estéticas ressaltando que são metáforas híbridas, que elaboram o patrimônio das
linguagens e das culturas locais. Este empenho possibilitará discussões
teóricos e críticas sobre a relação intrínseca entre literatura e outras semioses,
amparado também em discussões contemporâneas de Ana Kiffer, Florencia Garramuño
e Wander Melo Miranda (2014) que entendem os elos entre literatura e outras
formas a partir do conceito de “campo expandido” ou de “literatura expandida”,
em que as produções “são e não literatura”, pois, “apesar de se apresentarem
como literatura, não podem mais ser lidas [apenas] por meio de categorias
literárias” (MIRANDA, 2014, p. 136). Nesse cenário, as relações entre
literatura e outras artes emergem no Modernismo de 1922 e ganham grande
notoriedade no Concretismo, movimento pelo qual os irmãos Campos, especialmente
Augusto de Campos, propõem uma poesia que se vale de recursos de artes visuais,
publicidade, música e expressões digitais, investigando e apresentando instrumentos
variados das mídias eletrônicas e das tecnologias. O próprio Augusto escreve,
em 2003 e publica em 2015, o texto “Do concreto ao digital”, no qual reforça
que, mesmo sem os recursos tecnológicos necessários (que só viriam a se tornar
disponíveis no fim do século XX), os concretistas já antecipavam uma estética
que, latente e potencialmente, clamavam por semioses além da palavra e por
suportes além do papel. Desse modo, o conceito de literatura “verbivocovisual”
se funde ao digital, por meio dos novos textos que emergem no contexto das
redes sociais, dos blogs, das plataformas de streaming, dos jogos digitais, em
interseções que, se por um lado, dificultam as conceituações e categorias, por
outro, potencializam a leitura da realidade a partir das linguagens e formas
que essa mesma realidade nos impõe.
GRUPO
TEMÁTICO 17
LEITURA
E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL:
NOVOS
CONTEXTOS PARA NOVOS LEITORES
Rosana
Rodrigues da Silva
e-mail: rosana.silva@unemat.br
Doutorado.
UNEMAT/ Campus Sinop-MT
Rosemar Eurico Coenga
e-mail: rcoenga@gmail.com
Doutorado.
PPG/UNIC/IFMT
Eliane Aparecida Galvão Ribeiro
Ferreira
e-mail: eliane.galvao@unesp.br
Doutora. UNESP/FCL-Assis
RESUMO: A literatura destinada a crianças
e jovens tem sua origem demarcada no processo de escolarização, em que
necessitou atender a interesses da família e da escola. Inserida nesse
contexto, seu estudo frequentemente está associado às práticas metodológicas de
leitura, em que novas teorias buscam caminhos para a formação do leitor
literário. Cada vez mais disputado pela cultura midiática, o jovem leitor se
depara com uma efusão de textos em um mercado bastante competitivo no gênero
infantil e juvenil. Séries de suspense, romances de fantasia, HQs, literatura
em quadrinhos, literatura digital, são algumas das formas que têm direcionado o
gosto de novos leitores; dividindo espaço com as conhecidas releituras de
contos folclóricos, lendas e mitos. Ao lado desses, nas estantes de
bibliotecas, estão catalogadas as literaturas de autoria indígenas, africanas e
afro-brasileiras, destinadas ao público infantil. O espaço multicultural da
contemporaneidade possibilita a variedade de autores e títulos que comprovam a
diversidade cultural também no reino encantado dos novos leitores. Na dicotomia
do lúdico e do pedagógico, autores se dividem entre o comprometimento com a
aprendizagem escolar e o trabalho com a ludicidade. De qualquer modo, o texto
ganha materialidade no trabalho aprimorado das técnicas de ilustração, dos
aspectos gráficos que possibilitam uma leitura interativa. O gênero infantil e
juvenil, ao mesmo tempo em que promove o diálogo com a tradição oral e popular;
permite-se ser renovado com as vanguardas artísticas, com as novas tecnologias;
permitindo também temáticas inclusivas, atentas para as relações
étnico-raciais. Buscando atender às múltiplas formas literárias que demarcam o
gênero, bem como as pesquisas metodológicas e práticas acerca da leitura, este
GT acolhe trabalhos da teoria, história e crítica literária que estudem autores
e obras, destinadas a crianças e jovens; quer sejam formas da tradição clássica
da narrativa ou formas de adaptação, literatura digital, narrativas dramatizadas,
formas poéticas e outros processos artísticos, incluindo relatos de
experiencias de práticas
de leituras.
GRUPO TEMÁTICO 18
LITERATURA NO MEIO: ECOCRÍTICA, LITERATURA E
ARTES
Maria
Cândida Ferreira de Almeida
e-mail: mferreir@uniandes.edu.co
Doutora em Estudos Literários, Universidad de
los Andes, Colômbia.
Albeley Rodríguez Bencomo
Doutora em Estudios Culturales
Latinoamericanos, Universidad Andina Simón Bolívar, Ecuador.
Diego Fabián Arévalo Viveros
Pós-doutorado
na Universidade Misak, Reserva Ancestral Silvia, Cauca, Colômbia.
RESUMO: Este Grupo Temático pretende reexaminar o
papel da literatura e das artes como manifestações de uma relação em constante
transformação do humano com o mundo. O objetivo é explorar, a partir de uma
perspectiva interdisciplinar, as formas pelas quais, por meio da ecopoética, a
literatura, as artes visuais e as ecologias estão abordando questões associadas
à crise do período chamado Antropoceno. Podemos apontar o surgimento de
dinâmicas criativas que repensam a relação entre o ser humano e o seu ambiente,
bem como as fronteiras entre o humano e o não humano, a natureza e a cultura.
Este GT pretende reunir pesquisadores interessados na relação estabelecida pela
literatura e as artes visuais com o meio ambiente e que tem se organizado na
forma de ecoarte e é estudada pela ecocrítica. Esta linha de pesquisa que
nasceu da junção de duas palavras – “Ecologia” e “Crítica” – a ecocrítica nos
traz o conceito de “casa”, do grego “oikos”, e que está em “eco” tomado como
metáfora do meio ambiente, desta forma, podemos falar de uma perspectiva
comprometida com o entorno natural, por parte de quem cria e presente na
perspectiva de quem analisa a obra. Neste caminho a teoria ecocrítica, busca
atravessar todos os temas que encontramos na natureza – não só os elementos que
compõem o planeta, a sua fauna e a sua flora, como também assuntos tão
abstratos como o espaço celeste e os elementos que o caracteriza. Abarcando a
forma como experienciamos estas relações partindo do nosso próprio corpo,
transversalidade também pertinente à ecocrítica. Finalmente, trazendo a
perspectiva que privilegia o lugar, a ascendência e tudo aquilo que nos é
primordialmente intrínseco e identitário e que fundamentalmente fazem parte da
nossa conexão com o exterior. Abrindo um amplo campo interdisciplinar, a
contiguidade entre humano-meio ambiente pode ser enfocada por diferentes
disciplinas do conhecimento, o qual organiza os estudos comparados da
literatura e o discurso ecológico criando um campo expandido com a
antropologia, a filosofia, a sociologia, a psicologia e a ética. Assim que este
GT receberá propostas que ressaltem as relações estabelecidas entre literatura,
as artes visuais e outras disciplinas tendo como eixo transversal o tema
ambiental. Buscamos especialmente, pesquisadores dedicados a compreender a
presença na literatura e nas artes do conjunto de espécies de plantas, animais
e outros microrganismos, que partilham um território ou biótopo e as suas
condições climáticas, geológicas ou geográficas.
GRUPO TEMÁTICO 19
LITERATURA,
CULTURA E IDENTIDADE:
ESTUDOS
DO PROCESSO DE INTERAÇÃO DA LITERATURA
E
SUAS CONFLUÊNCIAS ENTRE INSTÂNCIAS DE LINGUAGEM
Claudia Miranda da
Silva Moura Franco
e-mail: claudia.franco@unesp.br
Doutoranda - UNESP -
IBILCE
Giselli Liliani Martins
e-mail: advocacia.glm@gmail.com
Mestra - UNEMAT
Kátia de Oliveira
Carvalho
e-mail: katia.carvalho@unemat.br
Mestra - UNEMAT
RESUMO: Ao estabelecer no
discurso literário a aproximação com o contexto cultural, social e histórico,
observamos que a criação literária e seu trabalho com a linguagem é capaz de
fazer ver, com palavras, o sensível, aquilo que muitas vezes, nos escapa aos
olhos e só é possível enxergar pela experiência. No Brasil, a literatura
contemporânea tem se alimentado dos eixos memória, história, e identidade para
formação de uma desconstrução das práticas delineadas pela colonialidade. Desse
modo, a ficção busca nos fenômenos culturais que produziram e reproduziram, por
muito tempo, a exclusão de povos, gêneros e culturas que se evidenciaram pela
(in)submissão, postos fora do modelo de humanização. O presente eixo de estudos
busca compreender a memória (Ricoeur, 2007), como a ideia de pensar sua relação
com a produção do conhecimento e investigar as confluências entre cultura,
história e sociedade como instâncias de linguagem que se abrem não só a
perspectiva da análise da memória bem como a de aspectos culturais e identitários
reconfigurados pelo texto literário, e ainda, de modo mais amplo, considerar o
processo de criação literária, por meio de teorias que estudam as narrativas e
as abordagens de temáticas culturais, sociais e identitárias inscritas na
ficção (Hall, 2013; Bhabha, 2013), que aludem o tempo vivido como experiência e
a construção narrativa como consciência (Ricoeur, 2007), somando-se a elementos
comuns da narrativa fantástica, que se opõe ao mundo visível, fundado na
desigualdade social com vistas à ruptura de paradigmas da própria sociedade
contemporânea para a subversão de tradições e valores.
GRUPO TEMÁTICO 20
MEDIAÇÃO DE LEITURA LITERÁRIA E
FORMAÇÃO DE LEITORES NA EDUCAÇÃO BÁSICA
José
Humberto Rodrigues dos Anjos
e-mail:
josehumberto2@ufg.br
Doutor
(UFG-UEG/POSLLI)
Cloves
da Silva Junior
e-mail:
cloves.junior@ifg.edu.br
Doutor
em Letras e Linguística (IFG-SEDUC/GO)
RESUMO:
Trata-se
de um Grupo Temático (GT), vinculado ao eixo “Ensino
e aprendizagem de línguas e literaturas”, que receberá pesquisas desenvolvidas ou
em andamento sobre mediação de leitura literária e educação literária na
Educação Básica, com o objetivo discutir, problematizar e reconhecer a
importância do texto literário na formação integral dos estudantes. Para tanto,
buscamos estudos de pesquisadoras e pesquisadores que façam suas análises sobre
obras de escritoras e escritores de diferentes países e tempos históricos, e
que discutam questões como história, memória, relações sociais, educação,
violências, resistências e outras discussões possíveis a partir do trabalho
ético, estético e político da literatura. Considerando que a formação de
leitores é um processo contínuo e que é importante atentar-se para os modos
como as novas gerações vinculam-se (ou não) à leitura literária, urge
(re)pensar práticas de abordagem do texto literário em sala de aula para
proporcionar novos encontros com os livros a partir da figura essencial do
mediador nesse processo. Entendemos a literatura como um importante canal de
compartilhamento de bens simbólicos, ao passo que proporciona um arcabouço
cultural, linguístico e social, e isso acontece porque ela não é apenas uma disciplina,
mas um meio de enxergar a realidade e, por isso, está aliada às múltiplas
formas de conhecimento e mobilização dos saberes. Os motivos evidentes para uma
educação promovida pela literatura partem da concepção de engajamento social,
em que é preciso colaborar com as futuras gerações, a fim de que elas possam
ser menos preconceituosas, menos violentas, e, por conseguinte, enxerguem
outras existências que podem ser iguais ou diferentes às suas. Para isso, é
preciso que conjuntamente construamos um projeto nacional de cidadania, capaz
de demonstrar e levar às pessoas uma consciência política e com engajamento
social. Esperamos, a partir da realização do GT, compartilhar saberes e
experiências sobre educação literária e socializar estratégias metodológicas
que podem ser disseminadas na Educação Básica.
GRUPO TEMÁTICO 21
MODERNISMOS E
REGIONALISMOS:
EXPRESSÕES LITERÁRIAS
DA CONTEMPORANEIDADE BRASILEIRA
Carolina Barbosa Lima e Santos
e-mail: carolsartomen@gmail.com
Estagiária de Pós-Doutoramento da Universidade Federal de
Mato Grosso do Sul (CAPES/ PPGEL/UFMS)
Wellington Furtado Ramos
Doutor na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(PPGEL/UFMS)
Melly Fátima Goes Sena
Doutoranda da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
(PPGEL/UFMS)
RESUMO: O centenário da Semana
de Arte Moderna e o Bicentenário da Independência do Brasil são episódios que
nos convidam a refletir a respeito do imaginário brasileiro, a problematizar
determinados traumas históricos e a avaliar novas disputas em torno de projetos
de nação. Valendo-nos desses marcos históricos como ponto de partida para o
desenvolvimento de nossas reflexões, propomos aqui uma revisão crítica a
respeito dos conceitos relacionados à modernidade e à identidade nacional em
meio à contemporaneidade brasileira. Sob o viés dos estudos literários, em
diálogo com outras áreas do conhecimento, procuramos discutir a importância de
projetos de nação comprometidos com a expansão da ideia de Brasil e o com o
acolhimento de subjetividades regionais historicamente invisibilizadas em meio
aos debates midiáticos, culturais e/ou políticos realizados em âmbito nacional.
Partindo da compreensão de que nem mesmo a noção de humanidade possui um
sentido estático, a filósofa Rita de Cássia Ferreira Lins e Silva, em “O
pluralismo e a nova ordem mundial” (2016), propõe um questionamento em torno do
conceito de universal que exclui aspectos da identidade e da alteridade. Nesta perspectiva, diante da concepção
equivocada relacionada à ideia de universalidade, que silenciou grupos sociais
considerados minoritários, ascendem determinadas vozes na contemporaneidade
engajadas com a proposição de um outro paradigma de mundo, ancorado no
entendimento de sua diversidade. Partindo desta compreensão e cientes da
importância da literatura para a formação do imaginário de uma sociedade,
propomos aqui uma discussão em torno do revisionismo crítico e de uma possível
ampliação do que hoje é compreendido como cânone literário brasileiro. É
preciso que propostas de autores advindos de regiões historicamente
invisibilizadas em meio a debates acadêmicos, midiáticos e/ou artísticos,
realizados em âmbito supostamente nacional, passem a ser avaliadas de forma
democrática em universidades de grandes metrópoles do país, assim como
escritores de grandes centros urbanos circulam em meio aos currículos escolares
e universitários pelas regiões interioranas do Brasil. É preciso que estados
como Mato Grosso do Sul, Acre, Tocantins, Roraima e Amapá passem a ser
compreendidos como espaços que acolhem sujeitos produtores de conhecimento e de
expressões artísticas caso tenhamos o interesse em um projeto de nação
diferente daquele que, outrora, pretendia homogeneizar e hierarquizar
expressões de uma cultura advinda de relações coloniais de poder. Ao pensar na
circulação e na avaliação das produções literárias advindas dessas regiões
periféricas em meio às grandes metrópoles brasileiras, propomos um espaço de
discussão em torno da efetivação do projeto modernista de horizontalizar e
“postular uma reciprocidade de perspectivas em que cada um deles reflete sobre
si mesmo e projeta uma imagem” (PASINI, 2022, p. 29) em um mapa literário
descentralizado, configurado “em prismas específicos e originais, que iluminam
um circuito uno e desigual a partir de ângulos diferentes” (PASINI, 2022, p.
33). Este GT é um dos resultados do projeto Ainda o Regionalismo, nosso
contemporâneo?, que conta com apoio financeiro da Fundect/MS, por meio do
Termo de Outorga n. 290/2022.
GRUPO
TEMÁTICO 22
MONSTROS
E MONSTRUOSIDADES NO ARQUIVO LITERÁRIO
Filipe Amaral Rocha de
Menezes
e-mail: filipearm@gmail.com
Doutor. Universidade
Federal de Minas Gerais – UFMG
Késia
Rodrigues de Oliveira
Doutora. Universidade
Federal de Minas Gerais – UFMG
Maria Silvia Duarte
Guimarães
Doutoranda. Universidade
Federal de Minas Gerais – UFMG
RESUMO:
Propomos
criar um espaço acadêmico para a apresentação de trabalhos e provocação de
debates sobre a literatura, para analisar e discutir a ampla temática dos
monstros no arquivo literário e em outras implicações artísticas e culturais
nas quais a monstruosidade se faz notável. Segundo Luiz Nazário, o monstro
define-se, em primeiro lugar, em oposição à humanidade; ele é o seu inimigo
mortal, aquele contra o qual ela só pode reagir pelo extermínio; no imaginário
popular, o Mal é enorme, maciço, assumindo frequentemente a forma excessiva de
uma animal antediluviano. Jeffrey Jerome Cohen propõe que as culturas sejam
compreendidas a partir dos monstros que geram, e, assim, o monstro nasce nessas
encruzilhadas metafóricas, como a corporificação de um certo momento cultural –
de uma época, de um sentimento e de um lugar. Segundo José Gil, neste fim de
século, os monstros proliferam: vemo-los por todos os lados, no cinema, na
banda-desenhada, em gadgets e brinquedos, livros e exposições de pintura, no
teatro e na dança. Invadem o planeta, tornando-se familiares. Cessarão, muito
em breve, de nos parecer monstruosos e ser-nos-ão até simpáticos, como já
acontece a tantos extraterrestres das séries de televisão. Havemos de falar
então da "monstruosidade banal", como se fala agora da violência
banal - o que constitui, precisamente, uma aberração. O que inquieta realmente
é que não há seleção nem escolha preferencial destes novos invasores: assim
como a Antiguidade adorou os centauros, as quimeras e os sátiros, também nós
teríamos podido privilegiar os monstros imaginários, resultado de cruzamentos
entre espécies diferentes. Entre os objetivos que estabelecemos para este GT,
estão o papel do monstro em suas concepções folclóricas, culturais e
literárias; os limites da representação do monstro e o que se esconde atrás da
imagem do monstro; as possibilidades e as impossibilidades da monstruosidade
humana e a monstruosidade dos eventos catastróficos provocados pelo homem. A
partir da contribuição teórica de autores como Jeffrey Jerome Cohen, José Gil,
Luiz Nazário, Julio Jeha, Lyslei Nascimento, Luís da Câmara Cascudo e Mary del
Priori, entre outros, espera-se que as contribuições se integrem para refletir
como o monstro e as monstruosidades estão ainda muito presentes no cotidiano
das artes. Entre tópicos para discussão, destacamos os seguintes: a) Monstros
no arquivo literário e cultural; b) A monstruosidade humana e suas múltiplas
facetas; c) A monstruosidade dos eventos humanos catastróficos e d) crimes,
pecados e monstruosidades – o mal encarnado.
GRUPO
TEMÁTICO 23
(MULTI)LETRAMENTOS,
DECOLONIALIDADE/ANTICOLONIALIDADE
E PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO LINGUÍSTICA
Tiago Alves Nunes
e-mail: tiagopark@gmail.com
Doutor, Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Cintia Bárbara Silva Borges
e-mail: cintiabarbara11@hotmail.com
Mestra, Universidade do Estado da Bahia (UNEB – Campus X)
Maria Eugenia Santos Conceição
e-mail: mariaconceicao@uneb.br
Mestra, Universidade do Estado da Bahia (UNEB – Campus V)
RESUMO: As práticas de linguagem que se desenvolvem na sociedade de modo geral e
em ambientes de aprendizagem, formais ou não formais no contexto do Sul Global,
são, em sua maioria, perpassadas pela construção epistêmica da
modernidade/colonialidade (Mignolo, 2017; Maldonado-Torres, 2011; Grosfoguel,
2007), fruto das relações de poder impostas pelo colonialismo, o que gerou
colonialidades, sobretudo na educação, no seu processo de formação e
organização e, igualmente, na práxis pedagógica. Ademais, em um movimento
contrário a isso, no contexto das práticas de linguagem e da educação
linguística (Ferraz, 2017), há que se dá relevância e especial atenção às
práticas de (multi)letramentos (Kleiman,1995; Street, 2014; Cazden et.
1996) que proporcionem a diversidade e pluriversalidade de culturas e de
semioses, uma vez que esses aspectos constroem as práticas discursivas que se
fomenta socialmente e em sala de aula, por exemplo; além disso, também é
oportuno e relevante que, na educação linguística, sejam estimuladas práxis
pedagógicas de existências e resistências às diversas violências sociais
estabelecidas e comumente naturalizadas, tais como: o racismo, a xenofobia, o
sexismo, o mito da monocultura e tantas outras colonialidades que violam
direitos humanos fundamentais. A linguagem, assim, é ao mesmo tempo o
instrumento que constrói e reforça essas violências e a ferramenta que pode
combatê-las, a partir de perspectivas que respeitem e (re)afirmem as
existências, como é o caso da decolonialidade/anticolonialidade, o que
possibilita que saberes outros, assim como vozes e corpos antes estigmatizados
e subalternizados, tenham seu lócus de enunciação e epistêmico legitimamente
reconhecidos socialmente. Assim, o presente simpósio tem por objetivo reunir
pesquisas, de natureza teórica e/ou aplicada, e de diferentes vieses
metodológicos, que se interessem pela discussão e relação entre
(multi)letramentos, decolonialidade/anticolonialidade e como essas perspectivas
teóricas e epistêmicas são utilizadas e desenvolvidas no contexto da educação
linguística nos mais variados ambientes de construção de conhecimento, tais
como: o ensino básico, o ensino superior, a formação de professores, assim como
outros entornos formais e não formais de educação.
GRUPO
TEMÁTICO 24
NÓS AO ESPELHO:
DIÁLOGOS BAKHTINIANOS SOBRE
A (IN)TOLERÂNCIA BRASILEIRA EM (DIS)CURSO
Marcos
Alexandre Fernandes Rodrigues
e-mail:
rodmaf2@gmail.com
Mestre
em Letras (FURG e PUC-Minas / CAPES)
Cristiano
Sandim Paschoal
e-mail:
cristiano.paschoal@edu.pucrs.br
Mestre
em Letras (PUC-RS / CNPq)
Maria
da Glória Corrêa di Fanti
e-mail:
gloria.difanti@pucrs.br
Doutora
em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem (PUC-RS / CNPq)
RESUMO: A Teoria Dialógica do
Discurso, proposta pelo convencionalmente denominado Círculo de Bakhtin, possui
como aspecto medular a concepção (socio)dialógica de sujeito e de linguagem
que, postos em ação no mundo concreto, organizam a dialética da vida em (dis)curso.
Nesse sentido, investigar materialidades discursivas sob a ótica dialógica
exige do analista a consideração apriorística de que “a situação social mais
próxima e o ambiente social mais amplo determinam completamente [...] a
estrutura do enunciado” (Volóchinov, 2017, p. 206). Ademais, como salienta
Medviédev (2018, p.154), cada época de uma determinada sociedade é marcada por
uma espécie de tato discursivo, que “é determinado pelo conjunto de todas as
relações mútuas e sociais dos falantes”. Considerando os aspectos mencionados,
em Democracia, mídias sociais e liberdade de expressão: ódio, mentiras e a
busca da verdade possível, o constitucionalista Luís Roberto Barroso,
Ministro do Supremo Tribunal Federal, em colaboração com a jurista Luna van
Brussel Barroso ponderam que os regimes democráticos contemporâneos não se
restringem ao processo eleitoral, pois requerem também respeito aos direitos
fundamentais, como a liberdade de expressão. Em sua discursivização, porém,
estes são ameaçados pela ascensão do populismo autoritário, que visa à
orquestração de uma sociedade segregada, pulverizada por discursos
intolerantes. Como resultado, observa-se no Brasil em (dis)curso um retrocesso
de políticas criminais, educacionais, trabalhistas, culturais, ambientais e
econômicas, todas arquitetadas por axiologias intolerantes de determinado
centro de valor político, desafiado por contrapalavras de tolerância e
resistência. Na inter(ação) entre Eu e Outro em uma democracia
plural, materializam-se relações discursivo-concretas que pressupõem tanto
concordâncias quanto discordâncias. Entretanto, na autocracia requerida pelo
centro de valor segregador, o Eu – visto como “cidadão de bem” –
coisifica o Outro, extorquindo sua humanidade e possibilidade de devir.
Nesse contexto, o GT Nós ao espelho: diálogos bakhtinianos sobre a
(in)tolerância brasileira em (dis)curso, inscrito no eixo temático Análises
do Discurso, linguagens e historicidade, objetiva reunir pesquisas que
analisem, sob a ótica dialógica e em convergência com outras searas teóricas,
práticas de linguagem contextualizadas em diferentes campos de atividade
humana, nos quais se faz proeminente a (in)tolerância. Reclamamos investigações
dialógico-discursivas cujo potencial heurístico se contrapõe ao autoritarismo,
promovendo o respeito à diversidade, à inclusão e à justiça social. Por fim,
“visto que dos meus olhos olham olhos alheios” (Bakhtin, 2019, p. 51),
perguntemo-nos: se nós, brasileiros, formos ao espelho, o que veremos?
GRUPO TEMÁTICO 25
POLÍTICAS
PÚBLICAS E SABERES LINGUÍSTICOS:
AS
PRÁTICAS LINGUÍSTICAS E PEDAGÓGICAS NO CONTEXTO DE ENSINO
Ariele
Mazotti Crubelatti
e-mail: arielecrubelati@unemat.br
Doutora em Sociologia - UFSCAR com
período de Sanduíche na University of Malta.
UNEMAT / Câmpus de Juara
Weverton
Ortiz Fernandes
E-mail: weverton.fernandes@unemat.br
Doutorado em Linguística (UNEMAT), com
bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e
Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de Mato Grosso (FAPEMAT / CAPES).
UNEMAT / Câmpus de Juara
RESUMO: As
concepções de língua, estado e políticas públicas em uma sociedade colonizada,
como a nossa, na qual buscou-se anular as diferenças, sobretudo, a da língua e
a do sujeito, tem servido de debate nas últimas décadas pelos estudiosos da
língua e da sociedade, colocadas em causa, principalmente, após o
desenvolvimento dos estudos pós-estruturalistas. Em relação às práticas
linguísticas e pedagógicas no contexto de ensino, este grupo busca reunir
trabalhos ligados às políticas públicas em educação, bem como aos procedimentos
de ensino, relacionados a diversos arquivos, tais como: orientativos
curriculares, diretrizes e bases, Base Nacional Comum Curricular (BNCC),
manuais didáticos, capítulos de livros, plataformas de ensino, metodologias de
ensino da língua; textualizadas em diferentes objetos de estudo, ou seja,
produções textuais, como os da poesia, da literatura, dos relatos, de
documentos bibliográficos, entre outros, materiais para fins de produção
textual acadêmica e científica. O interesse do grupo temático, portanto, está
em refletir, pelas políticas públicas de educação, suas consequências para o
ensino, sustentadas por concepções teóricas contemporâneas, como as
pós-estruturalistas (enunciativas, discursivas, variacionistas, entre outras),
as quais problematizam o ensino articulado às políticas públicas (Silva, 2017;
Pfiffer, 2011; Geraldi, 2015). Em virtude deste grupo propor um debate temático
que articule o ensino (práticas linguísticas e pedagógicas) às políticas em
educação, as considerações de Pfiffer (2011, p, 149) no artigo intitulado Políticas
Públicas: Educação e Linguagem, reforça a ideia de um ensino não limitado à
linguagem técnica, mas histórica no sujeito no contexto escolar: “[...] as
políticas de ensino – enquanto políticas públicas – configuram possibilidades
de inscrição do sujeito na história”. Além disso, a autora (2011, p. 151)
acrescenta que “Estas políticas podem ser alteradas ou não de acordo com as
gestões de cada governo, mas, sobretudo, podem ser interpretadas e projetadas
ou ainda criticadas de modos diferentes de acordo com as teorias que as
analisam”. São algumas das possibilidades de compreender no contexto da
educação um trabalho metodológico que articule o social e o linguístico ao
“Estado no espaço das políticas de ensino”. (Pfiffer, 2011, p. 150). Em suma,
este grupo temático abre espaço para socialização dos estudos desenvolvidos, ou
em desenvolvimento, que contemple no ensino da língua e das práticas
pedagógicas as políticas públicas em educação.
GRUPO TEMÁTICO 26
PRÁTICAS
DE ENSINO E PESQUISA PARA ALÉM DA SALA DE AULA:
ENFOQUE
NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE LÍNGUAS E LITERATURAS
Paula Tatiana da
Silva-Antunes
e-mail: paula.antunes@ufac.br
Doutora - Universidade
Federal do Acre
Claudia Vanessa
Bergamini
e-mail: claudia.bergamini@ufac.br
Doutora - Universidade
Estadual Paulista
RESUMO: No contexto de formação de professores de
línguas e literaturas, metodologias que ultrapassam as barreiras do tradicional
apresentam-se como ações essenciais aos currículos dos cursos de licenciatura
em Letras, pois podem promover um espaço mais dialógico e interativo,
estabelecendo a construção de conhecimentos voltados para práticas sociais. Esse posicionamento relaciona-se
ao projeto de pesquisa desenvolvido por uma das proponentes deste GT, na
Universidade Federal do Acre, por meio do Programa de Pós-Graduação em Letras:
Linguagem e Identidade, intitulado “Gêneros discursivos que permeiam a formação
docente no âmbito de línguas/linguagens: um enfoque no contexto amazônico”. O
referido projeto tem por objetivo investigar os aspectos linguístico-discursivos
de gêneros do discurso que permeiam a formação de professores de
línguas/linguagens, focalizando, principalmente, documentos oficiais do âmbito
educacional e textos da esfera midiática, de modo a se pensar no
desenvolvimento integral desses docentes. Para isso, segue uma abordagem
metodológica de cunho qualitativo-interpretativista (PAIVA, 2019;
BORTONI-RICARDO, 2008), apropriando-se dos estudos da Linguística Aplicada
(PEREIRA; ROCHA, 2015; SIGNORINI; CAVALCANTI, 1998), para pensar a questão da
formação docente, e da Semântica Argumentativa (DUCROT, 1984; 1987; 1988; 1989;
2005), no que se refere à análise linguístico-discursiva dos gêneros
midiáticos. Seguindo essa perspectiva teórico-metodológica e ampliando a
discussão para a importância da formação literária no contexto educacional em
pauta, enfatiza-se, neste Grupo Temático, vinculado ao Eixo “Formação do
docente de línguas e literaturas”, a importância de se desenvolver, em sala de
aula, propostas de atividades que, realmente, envolvam os alunos e lhes
possibilitem ir além dos muros escolares. Desse modo, este GT pretende reunir
docentes (da educação básica e superior) e professores em formação
(preferencialmente dos cursos de Letras e Pedagogia) que desenvolvam pesquisas
e/ou práticas de ensino no âmbito de línguas e literaturas que contemplem
metodologias voltadas para a efetiva prática de gêneros discursivos diversos,
como, por exemplo, oficinas de produção de livros infantis, elaboração de
documentários, sarau de poemas, produção de notícias/reportagens, e as mais
diversas práticas de linguagem que se expandem para além do contexto acadêmico.
GRUPO
TEMÁTICO 27
PRÁTICAS E
EXPERIMENTAÇÕES NA PESQUISA (COM)
NARRATIVA
EM ESTUDOS LINGUÍSTICOS
Ana Carolina de Laurentiis Brandão
e-mail: anabrandao@unemat.br
Doutora em Linguística Aplicada; UNEMAT
Flávio Penteado de Souza
e-mail: flavio.penteado@unemat.br
Mestre em Letras; UNEMAT
RESUMO: Neste
grupo de trabalho, entendemos a pesquisa (com) narrativa como qualquer
abordagem metodológica que se vale do uso de histórias de vida/narrativas de experiência
(Cf. Brandão; Oliveira; Santos, 2023). Nessa perspectiva, pesquisadores podem
se valer de narrativas orais (por exemplo, em entrevistas gravadas), escritas
(por exemplo, em diários escritos), visuais (por exemplo, em desenhos) e
sinalizadas (por exemplo, em relatos em línguas de sinais). Podem se valer
ainda de narrativas multimodais ao utilizar instrumentos que combinam
diferentes modos semióticos, como textos escritos, imagens e sons. Pesquisas
(com) narrativas assumem diferentes formatos: algumas têm como foco o sentido,
outras a forma; algumas usam a narrativa apenas como dado, outras como dado e
perspectiva de análise (Cf. Barkhuizen; Benson; Chik, 2014). Os estudos
da linguagem vêm passando por uma virada narrativa (Cf. Pavlenko, 2007),
marcada pelo crescente interesse em histórias de vida para se explorar
determinado fenômeno. Compõem essa virada estudos que investigam o discurso
construído em narrativas e o seu papel em processos de constituição identitária
(Cf. Bastos; Biar, 2015). Também compõem essa virada estudos que se
utilizam de narrativas de professores e aprendizes para compreender
experiências de ensino-aprendizagem de línguas (Cf. Gomes Junior, 2020).
Enquanto professores e pesquisadores interessados em práticas de ensino e
aprendizagem de línguas, concebemos a pesquisa (com) narrativa como forma de
conhecer/entender as realidades de professores e aprendizes, bem como de
problematizá-las. Este grupo de trabalho tem como objetivo criar um espaço de
discussão de pesquisas de cunho narrativo, em quaisquer formatos, desenvolvidas
no âmbito dos estudos linguísticos. Insere-se no eixo temático 9 “Práticas
identitárias, estudos culturais, educação e linguagem”. Acolhe, portanto,
trabalhos que investigam, por meio de narrativas de experiência, práticas
identitárias, processos de ensino e aprendizagem de línguas, processos de
formação do docente de línguas, processos discursivos e práticas culturais.
Também acolhe trabalhos que exploram as potencialidades e os desafios da pesquisa
(com) narrativa no âmbito dos estudos linguísticos. Esperamos que o grupo se
constitua como oportunidade para se explorar a multiplicidade de práticas e experimentações
que permeia a pesquisa (com) narrativa.
GRUPO
TEMÁTICO 28
VIOLÊNCIA,
HORROR E ESCRITA LATINO-AMERICANA
DE
AUTORIA FEMININA NO SÉCULO XXI
Fabianna
Simão Bellizzi Carneiro
e-mail: fabianna_bellizzi_carneiro@ufcat.edu.br
Pós-Doutora
em Estudos Literários; Docente da Universidade Federal de Catalão
Carolina
Montebelo Barcelos
e-mail: carolinambarcelos@hotmail.com
Pós-Doutoranda
em Literatura; UERJ
RESUMO: Em Literatura,
violência e melancolia (2017), Jaime Ginzburg enfatiza que a literatura pode
fazer algo contra a violência ao promover relatos, debates e exemplos a favor
de orientações éticas individuais e coletivas. Coadunamo-nos com a proposta de
Ginzburg e vamos além ao propormos que a literatura latino-americana, de
autoria feminina, que aborda temas como violência contra mulheres e minorias,
impulsiona uma arena de discussões, o que já se configura como importante passo
rumo ao questionamento do status quo latino-americano. Nosso continente carrega
o peso do patriarcalismo, sem contar que nossa história sociocultural é marcada
pela pena masculina. Nesse sentido, como assevera Rita Laura Segato (2006), “Em
um meio dominado pela instituição patriarcal, se atribui menos valor à vida das
mulheres”. Destarte, precisamos ressaltar a produção latino-americana de
autoria feminina de forma a trazermos à lume narrativas que mimetizam vidas de
mulheres marginalizadas, caladas, excluídas, violentadas e mortas; bem como
devemos
sublinhar
a produção de escritoras ansiosas por desestabilizarem o cânone, como as
brasileiras Conceição Evaristo e Patrícia Melo, as argentinas Mariana Enriquez,
Selva Almada e Gabriela Cabezón Cámara, a equatoriana María Fernanda Ampuero e
a colombiana Laura Restrepo. Conforme observa a escritora argentina Samanta
Schweblin (2022), a América Latina vê surgirem escritoras que “usam as palavras
para jogar luz sobre conflitos sociais, às vezes nomeando o que não tinha sido
dito, às vezes escrevendo as bandeiras das próprias manifestações. Isso é bem
marcante em uma geração”. Este GT, portanto, objetiva reunir pesquisas que
versem sobre escritas latino-americanas contemporâneas – deste século XXI ou da
virada para este século – que contemplem a representação da opressão, da
violência e do horror vividos por mulheres em nossa sociedade patriarcal.
Entendemos, em um sentido expandido de texto, escritas além de romances,
contos, poesias e dramaturgia, como música, performances e artes visuais.
Acolhemos propostas que também articulem suas análises com outros campos do
saber, como a antropologia, a sociologia, a filosofia, a história e a
psicanálise, por meio de estudos realizados por Heleieth Saffioti, Lélia
Gonzalez, Rita Laura Segato, Gerda Lerner, Diana Russell, Silvia Federici,
entre outras possibilidades.
GRUPO
TEMÁTICO 29
VOZES
PERSISTENTES, ESCRITAS RESISTENTES:
DA TEORIA
À CRÍTICA PÓS-COLONIAL
Clara Mayara de Almeida Vasconcelos
e-mail: clara.mavasconcelos@upe.br
Doutorado em Literatura e Interculturalidade (UEPB); UPE – Campus
Garanhuns
Ferdinando de Oliveira Figueirêdo
e-mail: ferdinando.oliveira@upe.br
Doutorado em Literatura e Interculturalidade (UEPB) ; UPE – Campus
Petrolina
RESUMO: O presente grupo de trabalhos pretende reunir olhares que dialoguem com
diferentes perspectivas provenientes de teorias pós-coloniais aplicadas ao
ensino e à pesquisa de textos literários mediante as diferentes abordagens
possíveis por essa linha de estudo; desde o próprio ângulo pós-colonial até
suas subcategorias e conceitos de análise, como alteridade, colonialidade,
decolonialismo, neocolonialismo, além de exames relacionados a gênero, raça,
classe etc. Para tanto, aspectos sobre culturas, identidades e memórias se
interrelacionam na ideia de proporcionar a multiplicidade de condições e
sujeitos representados no texto literário. Convidamos, assim, a refletir acerca
da importância dessa perspectiva de investigação, na medida que se percebe o
Outro como principal ser constituído de respostas às interferências de poderes
hegemônicos instaurados pelo processo colonial. Nesse viés, a literatura não é
indiferente a seu tempo e sinaliza, sobretudo, o modo como escritores tentam
expressar as experiências dos acontecimentos permeados pela colonização. Ainda,
o GT visa congregar um conjunto de discussões em torno de produções literárias
brasileira e estrangeira, cujo debate esteja centrado na compreensão das obras
como produtos culturais que refletem a temática pós-colonial, bem como
propostas de ensino que permitam a observação dessas literaturas. Portanto, as
proposições almejadas para este grupo objetivam contemplar a valorização das
diferenças e dos anseios dos povos representados nessas composições, com a possível
integração de espaços e lócus distintos.